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(noi)telegrama

por M.J., em 29.08.16

acordei cedíssimo. ainda nem havia luz. café com pão de centeio e queijo fresco. novo café na pastelaria debaixo de uma das torres mais feias da cidade, cheias de apartamentos: numa varanda uma mulher tirava macacos do nariz. num dos apartamentos do rés do chão, uma outra muito gorda atirava comida a gatos vadios.

almocei tarde: novo café - junto com bolachas sem açúcar - na varanda com cigarra em banda sonora.

lanchamos gelado depois de uma das reuniões. 

comecei a ler "o livro dos baltimore". detestei "lua de mel em paris" (iniciativa livro secreto): definitivamente boicoto romances de cordel. 

ouvi amália enquanto fazia o jantar. 

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publicado às 21:06

juro!

por M.J., em 29.08.16

critico - de alguma forma - gente que escreve blogs para obter latas de feijão em troca.

 

depois, percebo que seja para isso, seja para pensos higiénicos, seja para viagens à brandoa, desde que assinalado, ninguém tem dois chavelhos furados a ver com isso. 

vir alguém do alto da sua sapiênica - como eu o faço (já estou a chicotear-me)- dizer que "não podemos escrever com o objetivo de ganhar dinheiro" é a mesma coisa que dizer ao bobi que não pode lamber os tomates com o objetivo de os ver crescer.

lá lamber pode. não quer dizer é que cresçam!

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há uns anos valentes encontrei uma conhecida numa choradeira sem fim por que, segundo me disse entre soluços - um dos seus filhos tinha sido alvo de um castigo cruel no jardim infantil.

munida de um espírito crédulo - e ainda distante dos exageros femininos actuais no que diz respeito às próprias crias - fiz um filme desmesurado na minha mente. imaginei a criança alvo de palmadas quase em sangue, ostracizada dentro de um armário ou com o dedo apontado por todos em uníssono a dizer "tu és burro(a)".

 

vai-se a ver e não foi nada disso.

 

a história é rápida:

a criança - naquele dia de poucas abelhas - decidiu que a sopa de repolho não era do seu agrado (acreditai, nunca era do meu e cheguei a pôr goelas cá fora quando me obrigaram a deglutir tamanho acepipe) e começou a espalhá-la pelo chão. uma colherita agora, outra daqui a bocado e outra daqui a dois minutos. não satisfeita, quando a educadora a mandou parar, pegou na colher e vai colher e sopa e prato nas trombas da mulher.

poderia ser eu com alterações hormonais, mas não. 

 

 

a professora, educadora ou lá que se chama, de sopa nas trombas, decidiu castigar a criança de uma forma original: o resto do almoço foi passado em pé, de cara para o chão a ver a sujeira que tinha feito, comendo o resto da sopa, que - tendo em conta a posição - até desceu mais rápido. 

pois meus senhores, na mente daquela mãe, obrigar o(a) seu/sua filho(a), anjo de candura e de inocência, a engolir o repolho em pé quanto todos os outros estavam sentados era uma tortura quase comparável a chuveiradas de gás tóxico.

o problema não era obrigação de comer o repolho mas ter de o fazer em pé.

(vai-se a ver e era a preocupação pelas dores das artroses dos joelhos, que a idade não perdoa). 

 

uma tragédia dolorosa a clamar por indemnizações, interdições de funções, incapacidades para o exercício de profissão sensível que obriga ao amor invés do castigo.

uma atrocidade daquelas merecia a julinha, o goucinha e o hernâni (lembrei-me agora que uma vez ameaçaram levar-me ao hernâni e foi só por isso que soube quem era. saudosos tempos) e toda a opinião pública a clamar em manifestações de nojo a dor da criança por ter passado vinte minutos em pé a comer.

 

lembrei-me disto porque, feita tola comentei há umas semanas com uma recém mamã a história - só os factos sem a minha opinião pessoal. pois meus senhores, a mamã olhou-me com instintos assassinos:

"e essa educadora continuou em contacto com crianças?" perguntou, quase em sobressalto, imaginando que aos seus anjos poderia ser imposto tamanha coisa.

 

não entendo.

desde quando nos tornamos tão exagerados que achamos que um castigo, uma palmada no momento certo, uma proibição, um não, o "ficas em pé até perceberes que não se desperdiça comida" é uma atrocidade? desde quando transformamos crianças em objectos inertes, com incapacidade de passar por frustrações, por dificuldades, por limites, por imposições?

quantos de nós apanharam nas trombas por serem mal educados? ficamos traumatizados? quantos de nós ouviram dezenas de nãos? foi tão marcante que nos obriga a ir ao psicólogo hoje em dia? quantos de nós ficamos de costas contra a parede? quantos de nós fomos obrigados a comer o que não queríamos? não fomos, portanto, educados?

educar passa apenas por dizer sim, sim, ver a criancinha sorrir e passar à frente?

 

educar passa por tentar afastar uma educadora que, como castigo, pôs um puto de pé durante vinte minutos?

que devia ter feito ela? "menino mau! menino mau! não podes fazer isso mas se fizeres não tem mal por que qualquer coisa que eu faça ou diga é uma atrocidade quanto à tua personalidade! e mais a mais, alguma empregada de limpeza vai limpar a porcaria que tu fizeres!"

 

pois meus senhores: é essa ideia de que "toda a merda que faças vai ser limpa por alguém" que dá no que vemos: completa percepção de (falsa) impunidade. 

 

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boa tarde

por M.J., em 28.08.16

 

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publicado às 16:19

banalidades

por M.J., em 27.08.16

cheira a terra molhada mas não choveu. sentei-me na varanda a tomar café com duas bolachas. habituei-me a contrapor o amargo do café com algo doce e percebo que tudo serve para enfardar açúcar. 

os vasos com as sardinheiras foram regados há pouco. esteve cinzento toda a manhã, uma neblina a varrer o dia, a amolecer a pele e agora o sol chegou, numa espécie de esplendor a iluminar as horas.

o cinzento matinal servia de melhor banda sonora ao filme dos meus pequenos dramas. 

levantei-me relativamente cedo. não haviam carros na rua, ainda, e dir-se-ia que dormiam os pássaros. sinto oscilações de humor com mais frequência do que antes. compreensível que as sinta agora visto que só estabilizei emoções muito recentemente. não podemos perceber os seus distúrbios se todos os dias forem elásticos soltos de impressões emaranhadas.

não fiz cevada. não fiz chá. li um livro com impaciência e descrença. 

agora cheira a terra molhada em sardinheiras secas, quase mortas na varanda, na resistência pela vida.

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publicado às 14:11

"humano, pá, por que raio andaste a enterrar os teus amigos?"

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Não há volta a dar

por M.J., em 26.08.16

Por mais adulta que seja serei sempre a triste que não se adequa ao ambiente nos primeiros dias, ficando a olhar os grupos que se formam entre os iluminados da simpatia. Será porque reviro muito os olhos? Ou porque mantenho aquele ar "se te aproximas mordo?" Mas até rosnei um bom dia...

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questões, tantas questões?

por M.J., em 26.08.16

não sendo apologista de que os animais são pessoas, ou de que aos animais deva ser dado o mesmo tratamento que aos humanos, também não assumo que os mesmos sejam coisas.

na verdade, queira ou não, dou por mim mais sensível a certas causas da animalada do que de humanos. sou até menina para sorrir embebecida a um cão e cerrar a cara a um puto.

não vejo mal algum.

há espaço para tudo e todos (assim, sem entrar em extremismos). há espaço para quem prefere cães e quem prefere melgas. quem defende putos e quem defende linces.

há - repito - espaço para tudo, com as devidas adaptações e prioridades. 

 

posto isto surge-me uma dúvida:

por que raio de motivo mais obscuro as alminhas inspiradas levantam a voz quando alguém tenta proteger animais, usando o fabuloso argumento "se pensasses era nos humanos!"?

significa que só pode haver preocupação por um? que tentar fazer algo por um é discriminar o outro?

 

e qual o problema de alguém tratar um cão como uma pessoa?

tirando a estranheza óbvia (não entendo muito bem essa coisa de chamar a um gato "filho" - ainda que parir um gato deva ser obra mais fácil do que parir um puto de três quilos e quinhentas) não é um problema da esfera íntima de cada um?

tirando a evidente falta de higiene que possa ser comer pelo de cão, respirar pelo de gato e partilhar a cagadeira com ambos, não é, ainda assim, uma escolha pessoal que em nada prejudica o vizinho? (excepto aqueles casos de colónias de trinta e cinco gatos e um periquito num apartamento mas esqueçamos as excepções).

 

e ainda que se possam entender as manifestações de estranheza por esses comportamentos (tico filho, anda cá à mãe, deixa de lamber os tomates e dá-me um beijinho) como justificar os comentários de ódio que se lêem texto sim, texto não por essa internet fora, acerca do assunto?

qual o motivo?

será biológico? uma espécie de defesa da espécie (antes nós que os dinossauros) ou é só idiota?

ou é só burrice crónica?

(com o devido respeito aos burros). 

 

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(noi)telegrama

por M.J., em 25.08.16

Limpamos a garagem de manhã. Aranhas em demasia mas nada de guinchos. Cortei o cabelo depois de almoço. Cinco dedos e ainda me passa dos ombros. Agora não tem pontas estragadas nem um acabamento fino. Ouvi Scott Matthew enquanto trabalhava. Fomos às compras no final do dia. Li na varanda mas pouco. Falei com Tânia. Os dias estão a ficar mais pequenos e começa a fazer sentido chá quente.

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publicado às 22:17

banalidades

por M.J., em 25.08.16

perco a paciência com muita facilidade. embrenho-me em coisas e quando dou conta tenho as mil coisas que tinha para fazer ainda não feitas, na espera que lhes ponha a mão. perco o tempo entre os dias e não dou por eles a passar na espera que o tempo ande e não sei bem o porquê.

esperei a vida que o tempo passasse na espera de viver a vida. sair da serra. acabar o curso. começar a trabalhar. mudar de trabalho. ter uma relação estável. casar. metas atrás de metas, de nomes, de começos e recomeços na fuga do tempo presente. depois daquele degrau vai ser melhor: no fim do arco-íris está o pote de ouro. só preciso de continuar a caminhar.

um dia atrás do outro na procura do diamante que transforma os dias banais em brilhos e preciosidades. absurdo. a espera do passar do dia, o nunca mais é noite para o recomeço do amanhã fez-me perder horas eternas que não recupero. e ainda assim, todos os dias dou por mim na espera da vida. na espera do objectivo. na ausência e incapacidade de saber viver pelo agora:

pelo privilégio de estar viva. de ter esta máquina, coração, pulmões, sangue, oxigénio, células, cérebro em funcionamento transformando-se em mim na espera eterna do dia brilhante de amanhã.

esquecida que o amanhã é hoje.

bolas.

extremamente banais.  

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