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#30por30 - blogs e provérbios - 5

por M.J., em 24.02.17

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inspirado em que provérbio?

quem adivinha?

 

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Não me julguem

por M.J., em 24.02.17

Ando com um gel antibacteriano na mala, para desinfetar as mãos. E uso. Muito mais vezes do que seria suposto. Faltará muito para me fechar em casa e não contactar com absolutamente ninguém?

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17/02/2017 

- hora do almoço: acabei de ler "a incrivel viagem de arthur pepper" e não me apetece ler mais romances. não sou de diálogos forçados e fins evidentes, do viveram felizes para sempre. mesmo assim peguei no "viver depois de ti" que a magda me emprestou. diz que não é bem um romance e estou disposta a tentar.

 

- depois de jantar: li cinco capítulos na hora de almoço. não encontro aqui grande romance e percebo que gosto porque passei o jantar todo a olhar de soslaio para o sofá, onde o pousei descontraidamente.

é intenso q.b. e conseguiu fazer-me mergulhar na história, sem vontade de submergir. 

li mais de metade do livro. tem uma intensidade única.

 

lana del ray e chá preto de maçã canela. (ou infusão).

 

18/02/2017 - avancei uns quantos capítulos ao pequeno almoço.

 

 

Aos sábados há pequenos almoços demorados. #breakfast #book📖

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acordei relativamente cedo para um sábado e fiquei sentada à mesa, em frente para a janela da cozinha, com ele na mão.

comi uma tosta mista e leite com café.

o cinzento da manhã entrava porta dentro e o silêncio foi apenas cortado por dois ou três pássaros. derramei umas quantas lágrimas e dei um salto quando o rapaz entrou interrompendo-me no mundo onde me senti fazer parte.

 

a incapacidade de parar de ler é o sinónimo de que o livro vale a pena.

não foi propriamente uma surpresa o desenrolar da história mas os diálogos não são forçados e o sentido de humor da personagem principal também não.

não há a sensação de que se trata de algo romantizado e - tirando o cliché "homem rico-menina pobre" - sentimos que podia acontecer a qualquer um.

antes dos últimos três capítulos li o fim, numa antecipação do esperado. 

fiquei amplamente deprimida. 

 

ouvi os pássaros nos cedros em frente à varanda da cozinha. 

 

19/02/2017

acabei enquanto esperava que o almoço se fizesse.

cheirava a assado domingueiro, pela casa toda, e os miúdos do rés do cão brincavam na rua em frente.

senti-me profundamente triste, num turbilhão de melancolia provocado pelo livro, mesmo sendo só um livro

nunca é só um livro quando nos dá a sensação de viver outras vidas, pois não?

 

gostei mesmo muito. 

e ultimamente isso tem sido uma raridade no que leio. 

 

___________________________________

* na incapacidade de falar sobre os livros, em si, falo sobre o que os livros me provocam na companhia da música com que os conjugo e do tempo em que neles permaneço. 

 

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#30por30 - blogs e provérbios - 4

por M.J., em 23.02.17

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inspirado em que provérbio?

quem adivinha?

 

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continuo sem saber

por M.J., em 23.02.17

tantos anos que passam:

perdoar é esquecer ou deixar de dar importância?

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oh vai ver ali:

o tempo e eu

por M.J., em 23.02.17

não sei qual foi o exacto momento em que deixei de pensar/sentir que tinha a vida toda à minha espera, para pensar/sentir que cada dia que passa é menos um que me resta.

talvez tenha sido no momento em que percebi que as minhas rugas aumentaram.

ou quando reparei que o meu cabelo tem mais brancas do que um senhor de setenta anos, que se cuide.

não sei.

 

sei só que a dimensão do tempo alterou-se.

as primaveras não são sempre um novo recomeço, os outonos não são logos dias de melancolia, os invernos não são travessias desertas de chuva e mantas e sofás e os verões não são já imensos dias de nada, na espera que o calor abrande e a vida recomece.

 

o tempo alterou-se.

os dias deixaram de ter os momentos espaçados em eventos com sentido.

cada hora, que antes tinha um compasso de minutos razoáveis, transformou-se em instantes que voam e ficam unidos, uns aos outros, em dias que se convertem em meses muito banais. muito sem nada. muito sem magia.

 

talvez aconteça só comigo. 

antes cada estação do ano tinha diferentes cheiros, sentidos, sabores. era um evento único, de recomeço. de sentido de pertença a uma natureza que mudava e alterava em função de nós.

antes, cada altura do dia tinha um significado útil de pertença: apanhar o autocarro. chegar à escola. dividir a manhã em horas com diversos conhecimentos. almoçar numa aventura pela cantina.

e a hora de recreio, nas escadas do campo de futebol, era um ano de emoções.

 

agora as coisas são difusas e perdidas entre pensamentos que não trazem nada. creio que o tempo fazia mais sentido porque eu vivia o tempo. porque me dedicava ao que vivenciava na certeza de que só aquilo interessava.

agora não.

passo de tarefa em tarefa, de hora em hora, de momento em momento pensando no próximo.

há sempre algo a ser decidido. há sempre algo a ser tratado. uma hora ao sol quente, na esplanada, num dia de inverno, é uma hora dividida com o que se passou de manhã e o que passará de tarde. dividida com o livro que leio, com o que quero ler e ainda com o que quero escrever sobre eles. com o exercício que não fiz e com o que tenho que fazer. com a alimentação que é suposto manter: faço peixe para o jantar ou carne? que comemos ontem, que não me lembro?

 

as horas não são elas próprias mas misturas de uma complexidade de tempo. 

e perdem-se.

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antes o tempo era meu.

agora eu sou do tempo. 

 

porra!

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por que tens um blog M.J.?

por M.J., em 22.02.17

também por causa disto:

não posso entrar escritório dentro e dizer aos gritos “quem foi o filho da puta que deixou ficar o guarda chuva molhado nas escadas? Aquela merda encharcou o chão de água e eu ia-me partindo toda agora, pá. Tenham mais cuidado com essa merda!”. Como é evidente as minhas palavras têm de ser alteradas e é suposto que refira, num tom cordial tirei o chapéu da entrada, porque estava molhado e tornava o piso escorregadio. O dono que o vá buscar ao bengaleiro, quando sair, por favor”. É normal que isto aconteça, faz parte da vivência em sociedade e eu aceito-o. Mas é esta diferença de posturas que, não fazendo de mim hipócrita, permite que haja um certo equilíbrio emocional na minha vida.

 

isto e toda uma conversa intimista com a Ana Rita, onde há perguntas pertinentes e respostas mais ou menos.

 

dizei-me lá que eu não seria uma boa entrevistada do daniel oliveira?

 

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#30por30 - blogs e provérbios - 3

por M.J., em 22.02.17

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há ternura que se sente

por M.J., em 22.02.17

há ternura que se vê.

e há ternura em palavras.

 

se um dia tiver um filho há-de ser como o gui: cheio de girassóis nos olhos.

 

"O Firmino é parecido com um ponto de interrogação e não sabe desenhar nada porque quando a senhora professora nos mandou desenhar a nossa família o Firmino desenhou um gato."

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desculpem lá se não é igual à vossa.

 

há uns anos atrás quis morrer. reformulo. há uns anos atrás tentei morrer. reformulo ainda. há uns anos atrás quis tanto morrer que tentei que acontecesse.

foi uma decisão minha. não posso dizer se consciente ou não, mas a única que me assaltava o espírito durante dias, meses, quase anos.

não vou dissecar - por não interessar - motivações, planos, maneiras ou acontecimentos. interessa apenas que estava doente. muitíssimo doente. que me doía a alma e os ossos. que me doía a vida de uma forma que não doía aos outros. que me doíam tanto as horas e o respirar e o andar e o ser e o acordar todas as manhãs que nada mais interessava.

doía-me a vida e como só doía a mim, só eu tinha o direito de opinar sobre ela.

só eu tinha o direito, ou não, de a tentar alterar. 

 

no entanto, não deixaram que eu pusesse de lado o dom que é viver.

muitíssimo contra a minha vontade agarraram-me a ferro e fogo e ordenaram-me que prosseguisse. ninguém me perguntou se eu queria permanecer ligada à vida, porque já sabiam a resposta. ninguém se sentou ao meu lado e debateu, friamente, vantagens e desvantagens de prosseguir.

toda a gente olhou para a morte como algo a combater.

como um tabu que não se discute porque não há nada para discutir.

como um direito que eu não tinha ainda que tivesse.

como um opção que não era minha ainda que fosse. 

 

a vida, dizem os entendidos, é um direito intransponível. mas a vida somos nós e nós só podemos ser se quisermos. de que vale uma ligação ao ar que respiramos se o desprezamos? se nos magoa tanto que queremos tudo menos tê-la? com quem direito alguém nos impõe que permaneçamos quando a única coisa que nos interessa é acabar?

 

anos depois permaneço aqui pela tenacidade de quem não deixou que eu fosse.

sei, conscientemente, que devia estar agradecida. tudo o que vivi depois me mostrou que a doença era ultrapassável e que a dor, devidamente tratada, era momentânea. e mesmo assim, mesmo depois de viver tanto e passar por tanto após a vontade de desistir, continuo a achar que ninguém tinha o direito de decidir por mim. 

a ninguém era lícito substituir-se à minha vontade. mesmo que a minha vontade estivesse doente.

mesmo não tendo a percepção total do que me esperava não era lícito que a minha vontade fosse posta de lado por "não ser o melhor para mim".

porque o melhor para mim é aquilo que eu decido acerca do que sou.

porque sou eu que vivo com as minhas decisões. ou não vivo.

porque sou eu que sendo dona dos meus dias e que lidando com as minhas dores, com as minhas felicidades, com as minhas conquistas ou desilusões, com os meus sofrimentos e angústias, sei o que quero para as mudar.

 

se não me tivessem obrigado a permanecer, há uns anos atrás, não seria agora. não vos diria, não escreveria, não sentiria o sol no corpo. não saberia o valor do amor. não saberia da minha capacidade de amar.

teria sido um desperdício, bem sei.

mas seria o MEU desperdício. e só eu tinha direito de decidir sobre isso. 

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 (imagem roubada à gaffe, que a pediu a alguém).

 

quem raio julgam que são aqueles que pensam ter direitos acerca da sobrevivência dos outros?

serão eles, por acaso, a viver o resquício de vida que obrigam a que seja mantida?

 

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há muito, muito tempo, era eu...

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