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#30por30 - blogs e provérbios - 22

por M.J., em 23.03.17

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inspirado em que provérbio?

quem adivinha?

 

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publicado às 14:00

epitáfio

por M.J., em 23.03.17

então é assim: preparem os lenços, dêem vivas, soltem hurras, engulam as lágrimas: 

vou morrer.

sendo menos melodramática: tenho altas probabilidades de morrer, finar-me, bater a bota, ir desta para melhor, partir, desaparecer num futuro breve, breve, muito breve.

 

explico, levem-me a sério: 

  • arranquei ontem - sem contar, assim à maluca, sem preparação alguma - um dente do siso que pensava ser um dos normais e afinal, nascido e criado prematuro, tinha uma deficiência qualquer que decidiu dar ar de sua graça na semana passada;
  • em consequência sofri - e sofro, oh se sofro - de uma mega hemorragia no sítio onde o mesmo permanecera outrora;
  • a hemorragia era tão grande - e é, oh se é - quese traduziu numa refeição inteirinha do meu próprio sangue, causando-me um enjoo tremendo e levando a que ultrapassasse em muito as calorias recomendadas para o jantar;
  • (tive finalmente um vislumbre daquela coisa de cozer com o cão com o pelo do próprio cão).

em resumo:

é altamente provável que morra de hemorragia, e fique sequinha, sequinha, sem sangue algum, pálida e feia.

 

 

depois:

  • quando a dentista averiguava do siso percebeu que havia uma qualquer coisa esquisita na minha língua. (e não, não era um uso em demasia por falar de mais);
  • é verdade que eu já reparara naquele alto há uns tempos mas assumi - estupidamente - que se tratava de uma qualquer lesão passageira (para hipocondríaca tenho muitas falhas. é que nem nisso sou boa, porra);
  • vai daí e achou que era necessário marcar - com relativa rapidez - uma espécie de cirurgia de retirada do dito alto que deverá ser, depois, mandado para análise.
  • segundo ela nunca se sabe e o seguro morreu de velho.

em resumo - que isto nestas coisas a gente nunca sabe e os melhores são os que têm mais azar:

posso ter uma daquelas coisas antipáticas e ruins na boca e morrer disso.

(ou ficar muda, meu deus, muda!

já pensaram nisso? como raio vou ensinar ao rapaz linguagem gestual?

como raio vou eu aprender??????)

 

 

por fim:

  • andaram aos tiros, ou facadas ou atropelamentos em londres ontem.
  • vou para londres dentro de pouco tempo.
  • num avião.

em resumo:

há uma grande probabilidade que seja atropelada, estropiada, ou outra coisa acabada em ada por um radical qualquer que me transforme numa das setenta virgens de alá.

isso ou uma queda livre do avião, algo bastante usual - e até recomendável - segundo o may day, desastres aéreos.

 

 

pronto, é isto!

e sendo a morte certa, o que me tem ocupado enquanto seguro gelo nas trombas, é optar pela melhor, algo em que não me decido.

  • morrer de hemorragia poderia até ser indolor mas começo a ficar fartissima de engolir sangue, cuspir sangue, ver coágulos de sangue.
  • a minha almofada hoje era uma cabidela sem arroz e carne e é difícil escrever seja o que for com um pedaço de gelo nas fuças e um sabor a ferrugem.
  • pelo que dispenso.

por outro lado:

  • morrer de cancro é horrível.
  • possivelmente, bater a bota enquanto como batatas e peixe frito é muito mais agradável.
  • no entanto, num caso destes é bastante plausível que as pessoas digam, enquanto choram a minha partida "olha, paciência, também ninguém a mandou ir passear. ficasse em casa e agora estava vivinha entre nós". 
  • já ninguém dirá o mesmo se morrer de cancro, não é? quer dizer, quem raio terá lata para mencionar, assim como quem não quer a coisa "olha, paciência, também ninguém a mandou ter uma coisa ruim!?"

 

pelo que, em suma, estou indecisa. 

 

o que sei - com grandes certezas - é o que quero que conste na lápide, morra do que for, gravado a letras douradas:

aqui jaz maria joão por extenso, amiga extremosa, filha carinhosa e esposa fabulosa. 

morreu a tentar salvar toda a sua família de um ataque de tubarões no ártico e os seus feitos serão para sempre cantados pelos trovadores modernos (menos o agir) numa versão em bom do "estou fazendo amor". 

avé guerreira!

 

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Acabei de arrancar um dente do siso

por M.J., em 22.03.17

Sinto que vou morrer e não fiz testamento. Como não tenho onde cair morta não faz grande diferença mas não sei o.futuro relativamente a este antro. Adeus.

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#30por30 - blogs e provérbios - 21

por M.J., em 22.03.17

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eu fugitiva me confesso

por M.J., em 22.03.17

não sei quando os meus fins de semana se transformaram na imensidão de nada que são actualmente.

 

não que tivessem sido, em tempos, largos dias de animação, festas, saltos, maquilhagem e saídas nocturnas (essa época foi curta e directa e não acabou da maneira esperada). no entanto, ao longo dos meses e dos anos e do correr da vida fui amainando, numa espécie de embarcação parada por falta de vento enquanto as horas correm, empurradas por uma brisa suave e uma inexistente agitação marítima.

 

os fins de semana são dias de nada, repletos de tudo:

ele trabalha, numa imensidão de projectos que o têm envelhecido e carcomido o tempo livre, eu ocupo-me das mil coisas que desprezei um dia.

faço bolos com farinhas estranhas, sopas sem batata, bolachas que não são bolachas.

transformo tomate em polpa, descasco nozes para bolos e cozinho um arroz duro, integral e esguio, que demora tempos infinitos.

planeio refeições semanais, demolho feijão e acondiciono legumes vindos da serra, com raízes ainda repletas de terra, todos juntos numa caixa a lembrar o amor da mamã.

rego as plantas e arranco ervas daninhas dos vasos.

arrumo livros e desocupo roupeiros.

varro as varandas e planeio as semanas.

às vezes, num dia ou outro, combinamos jantares e visitas, curtos, rápidos, num serão ou num almoço que o tempo é escasso e aproveitamo-lo na necessidade dos dias ou naquilo que nos faz sentir bem.

 

e é isto que não entendo: em que momento estranho deixei de calcular o tempo em função da dor menos forte para esta mansidão dos dias?

em que momento, em que altura houve esta reviravolta que não vi e que me transformou numa espécie de cuidadora plenamente satisfeita por dominar a própria vida?

 

em tempos fui aquilo a que, muito sabiamente, a minha psicóloga chamou de fugitiva.

eu fugia de todos e de tudo aquilo que me desse palpitações ou fizesse torcer os ossos.

tinha uma mochila preta - que ainda andará por aí em qualquer gaveta - repleta dos bens que achava necessários para um recomeço.

usava cada casa arrendada como uma armazém temporário de mim, sem nenhum objecto que não fosse estritamente necessário. nem livros, nem roupa em exagero, nem coisas decorativas nem nada que não pudesse acondicionar em três caixas.

eu era uma fugitiva e fugi de tantas situações que há uma imensidão de coisas passadas por resolver, numa espécie de casa cheia de frestas e frinchas e portas só encostadas porque os donos desapareceram com medo do que por ali entrava.

 

e agora aqui estou.

com medo do tempo em que constatarei ser rija de carnes, um bigode no lábio superior, o puxar dos óculos com gestos firmes na cana do nariz e o soltar ordens de governança de uma casa. o arregaçar das mangas nos braços fortes e lavar no tanque cobertas e tapetes, calças e lenços, assumindo que tudo se cria, que onde come um comem cinco e que as mulheres vieram ao mundo para dar vida à vida.

 

uma consumição, bem vos digo, que me corrói a alma aos fins de semana, nos únicos cinco minutos em que me desocupo.

 

e confesso aqui que percebi - há uns tempos - que a coisa que mais me amedronta na maternidade é a irreversível perda da juventude.

é a última pedra na vida de fugitiva.

é a certeza que depois disso não haverão mochilas pretas nem bens acondicionados em três caixas.

que depois disso eu não sou de mim mas de outrem e não posso recomeçar sozinha.

 

e o tamanho de tal responsabilidade, a imensidão atroz desse pensamento provoca-me tantas palpitações, tanta ansiedade que dou comigo a olhar sobre o ombro na procura de tudo aquilo que posso doar, dispensar, vender, deixar para trás antes que seja tarde de mais para recomeçar.

 

ainda que nunca se recomece na sua totalidade:

trazemos sempre muito do que achamos - erroneamente - que ficou para trás. 

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há um motivo muito válido para eu ler os fins dos livros ou procurar spoilers acerca dos filmes antes de os ver.

há um motivo muito válido para recusar ver filmes cujos fins não me interessam, parar de ver séries onde a coisa se desenrola de uma forma que não gosto ou pôr um livro de lado quando o fim não me cheira.

há um motivo muito válido mesmo que o resto do mundo não entenda:

 

para não sentir a mesma desilusão que senti quando vi logan no cinema.

 

cum mil demónios!

eu devia ter adivinhado: os dois actores principais tinham avisado que não queriam continuar a fazer as personagens e se tivesse pensado um bocadinho chegava lá.

mas não! burra que nem duas portas anui ao convite do rapaz para irmos ao cinema e não procurei inteirar-me da coisa. e meus senhores, duas palavras:

uma bosta. uma bosta que se resume numa mistura de mad max, amizades improváveis e stranger things, tudo junto, com as personagens relevantes a bater a bota no final 

(eu disse que tinha spoilers).

 

a minha desilusão era tão evidente que me lembrei, automaticamente, da minha própria culpa. 

devia ter lido.

devia ter procurado saber o que acontecia em detalhe.

devia estar preparada e passar pelo filme com um vago desinteresse de que não vale a pena atenção em demasia porque eles morrem todos no fim!

 

e é por isso que eu sou fã de spoilers, leio o fim dos livros e ando atrás do desenrolar das séries!

para evitar o que não gosto!

para mim não faz sentido envolver o espectador/leitor nas agruras, ânsias da trama, provocar uma viagem emocional de altos e baixos e depois toma lá que já almoçaste, matamo-los todos!

 

de que vale perder tempo a envolver-me emocionalmente numa coisa que não termina como eu acho aceitável?

para isso meus senhores, já bem basta a minha vida. 

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oh vai ver ali:

#30por30 - blogs e provérbios - 20

por M.J., em 21.03.17

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gosto de ti:

 

porque és dotada de uma rara sensibilidade que escondes;

porque trilhas a vida com um sorriso constante;

porque alias à emoção uma sensível racionalidade;

porque sabes escolher cada palavra adequada a cada situação;

porque colocas aos ombros as dores dos outros, escondendo as tuas;

porque não tornas em bandeira o que melhor te define;

porque amas;

porque te fizeste amada;

porque gostas de frank sinatra;

porque me fazes soltar gargalhadas;

porque partilhas quem és;

porque tens mil palavras;

porque - ninguém diria - temos mais semelhanças do que diferenças;

porque descobri que estás mais presente na minha vida de que muitos outros;

porque tens a coragem dos heróis;

porque tens a determinação dos fortes;

porque tens uma simplicidade de criança;

porque tens mil palavras que ofereces;

porque tens mil palavras que me ofereces;

 

porque sim, gosto de ti.

 

seita.PNG

 

e porque o resto dos motivos só nós três é que sabemos:

 

comes arroz!

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não deixa de ser irónico

por M.J., em 21.03.17

que uma semana depois de ter tratado todas as cáries dentárias, feliz e contente e com o bolso muito mais leve, tenha tido uma brutal dor de dentes devido a um filho da mãe de um siso.

 

juro: se não estou embruxada é como se estivesse!

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#30por30 - blogs e provérbios - 19

por M.J., em 20.03.17

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