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ah pois é!

por M.J., em 26.10.16

fui às compras um dia desta semana.

ao pagar percebi que não tinha levado saco. chateada com o sistema, revolucionária, inconformada com os dez cêntimos, eu que luto por causas perdidas (se virem em algum sítio um cartaz a dizer "acabem com o bloqueio dos estados unidos a cuba" não fui eu) decidi que não compactuava com a roubalheira e declinei comprar um saco.

como, de qualquer das formas, tinha de carregar aquilo tudo até ao carro, fiz um castelinho com as compras da forma que passo a enumerar:

por baixo o papel higiénico, rectangular;

por cima os iogurtes, as bolachas e os ovos; e

tudo encimado com detergente para a louça. além disso,

numa das mãos, dois sacos com fruta. 

 

saí do hiper radiante, orgulhosa dos meus ideais, princípios e valores, nariz bem erguido, ar guerreiro de quem é capaz de lutar pelas causas em que acredita (só não luto pelo não bloqueio dos estados unidos a cuba porque não acredito nisso):

 

(na verdade ia periclitante, num equilíbrio precário que se manteve até ao carro. mesmo assim nada caiu.)

 

quando cheguei a casa o mesmo cenário: tirar compras, fazer o meu castelo e carregá-las escada acima.

pois que nada caiu, tudo se manteve.

pousei os produtos adquiridos (chique, né? que palavreado caro) na bancada da cozinha absolutamente contente com a minha resistência ao sistema, plenamente convencida que sou bem capaz de dar a volta à coisa e que não há governo algum que me obrigue a comprar o que eu não queira.

depois petisquei um bago de uva e duas bolachas e comecei a arrumar as tralhas: o detergente e o papel higiénico (em sítios diferentes, bem entendido) e os ovos, a couvete numa mão e a outra prontinha a passar os ditos para o sítio certo.

 

pois o que é que acontece? está-se bem a ver! M.J. amplamente satisfeita consigo própria, o orgulho, a satisfação, a confiança, a capacidade tudo junto em espiral de bem estar, não sei como nem porquê, desiquilibra-se e deixa cair os ovos.

todos.

no chão. 

 

 

é por estas e por outras que pago sempre para cima de um dinheirão em impostos.

não consigo dar a volta a nada sem me esbardalhar todinha. 

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publicado às 09:30


2 comentários

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De sarabudja a 26.10.2016 às 10:01

Qualquer dia internam-me e parte da culpa é tua.
Soltei uma sonora gargalhada e estou sozinha num gabinete. Sou a maluca cá do equipamento, todos sabem, mas não posso revelar sintomas.
É que imaginei que aconteceria já no estacionamento e tu consegues a proeza de fazer isso na recta da meta.
Palminhas para a menina.
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De M.J. a 26.10.2016 às 17:36

os meus ovos não gostaram dos aplausos.
só para que saibas :D

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