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a ideia de que temos de ser sempre felizes, lutando por isso como um ideal quase inatingível, está tão enraizada que não há um dia que não vejamos fotos, frases e textos inspiracionais, com palavras de ordem e aconselhamento do faz melhor, tu consegues, desafia-te, vai à luta. 

 

é dado adquirido e a fórmula é simples:

numa vida cinzenta as pessoas querem ver cor. querem ver arco-íris e coisas bonitas. querem sentir que lêem, absorvem, conversam, apreendem coisas que as acrescentam, que as levam a caminhar para uma vida melhor.

mesmo que não se saiba muito bem o que é uma vida melhor. 

 

não me compreendam mal.

não vejo nada de errado no facto de nos rodearmos de coisas que nos fazem sentir bem. o que me causa uma certa comichão nos ouvidos, na garganta e debaixo das unhas é a ideia de felicidade inatingível que a maioria dos gurus influenciadores transmite (a comichão também pode ser pela minha pele utópica e pela rinite, mas vamos acreditar que não). e é mesmo inatingivel, ainda que passem a mensagem como sendo perfeitamente possível a cada um chegar lá.

 

é algo que se alimenta a si próprio:

quanto mais inatingível mais deve ser passada a ideia de que todos nós podemos chegar ao estado de constante felicidade orgásmica. e quanto mais este estado for transmitido mais pessoas traz. e quanto mais pessoas trouxer mais inatingível deve ser a ideia. 

 

os estudos estão feitos e - se formos sinceros - todos nós já passámos por isso:

um dia perfeitamente normal, na nossa vida banal, em que, passeando os dedos pelas redes sociais, sentimos uma ligeira pontada de tristeza porque toda a gente é mais feliz do que nós. ainda que essa felicidade seja só visível através de fotografias e frases.

naquele dia, em que nos levantamos na hora de sempre, tomamos banho na hora normal, comemos mais do mesmo, trabalhamos com as mesmas pessoas, jantamos na mesma hora e sentamo-nos no sofá como habitual a descansar do dia, há ali uma foto, uma frase, uma pessoa que nos faz sentir miseráveis:

porque aquilo é que é vida!

aquilo é que é ser feliz.

aquilo é que é uma boa cara, bom corpo, bom sítio, boas férias, boas paisagens, boas mobílias, bons filhos.

é tudo, naquelas fotos, absolutamente bom. maravilhoso. completamente acima da nossa pequenita banalidade. 

 

e a nossa imaginação tem uma capacidade estrondosa de melhorar ainda mais o que se vê, e piorar o que vive.

 

o instagram é perito nisso.

há milhares, milhões de fotos de gente feliz. evidentemente que não se espera que por ali circulem fotos de momentos tristes, de mortos, feridos e cafés sujos. ou beatas no chão e cocós de cão. não é isso.

mas é preciso existir plena consciência de que aquelas fotos não representam - noventa e nove por cento das vezes - a felicidade ou os momentos de absoluta alegria, bem estar, prazer e afins que querem passar. 

aquelas fotos foram escolhidas a dedo. muitas tiradas em estúdios, ou com verdadeiros profissionais. foram retocadas, alteradas, melhoradas. mesmo aquelas que representam o pequeno almoço de uma pessoa banal, antes de ir para o trabalho, são - evidentemente - filtradas. são postas a jeito para que transpareçam uma imagem bonita. há toalhas lavadas e a tralha da mesa posta de lado, onde não caiba na objectiva.

 

não tem mal nenhum.

aliás, temos todos plena consciência disso ainda que #sóquenão. porque inconscientemente esquecemo-nos. porque naquele dia merdoso, naquele dia em que tudo correu mal, elas continuam lá. perfeitas, maravilhosas, a lembrar-nos que podemos ser muito melhores. que podemos fazer muito mais do que fizemos. mesmo que tenhamos feito tudo o que era possível naquele dia tinhoso. 

 

achamos que sabemos esta evidência mas esquecemo-nos.

acreditamos que sim mas não nos lembramos dos verdadeiros influenciadores digitais que, sabendo disto, o usam para seu proveito criando imagens falsas e levando a que pessoas simples se sintam miseráveis. 

(é evidente que é dificil descortinar se a culpa de quem se sente mais triste do que noite é de quem sente isso, por ver imagens de coisas que nunca atingirá, ou de quem as publica, alimentando-se disso mesmo.

creio que será um bacalhau de rabo na boca.)

 

seja como for, é importante não esquecer:

  • mesmo a pessoa que apregoe ser a mais feliz do mundo, que tenha um cão, um marido, dois filhos e uma casa na praia, que passe férias na tailândia, no méxico, nas caraíbas e nas maldivas, tudo de uma vez só;
  • que tenha um emprego de sonho, sem pressão, sem expectativas e ganhando milhares;
  • que tenha mamas firmes, cu de aço e cara de menina... mesmo essa, nas mil fotos que coloca, perdeu horas a escolher as melhores por entre as que melhorou. chorou no mês passado. sentiu culpa. desânimo. tristeza. e desejou ser outra pessoa num dado momento qualquer.

 

não há um sentimento de felicidade eterna por mais que as fotos digam o contrário.

e as vidas banais, que se desenrolam nas horas de sempre, no mesmo de sempre, com as pessoas de sempre, e que aparentam ser cinzentas, sem sal, sem cor, sem vida são muitas das vezes mais equilibradas, mais serenas, mais satisfatórias, do que cinquenta fotos de pernas longas, dentes perfeitos e praias paradisíacas.

 

 

o instagram é apenas o carnaval das vidas felizes.

 

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agora a falar a sério

por M.J., em 10.02.17

quanto acham que conseguia pelo meu rim?

questões que me atormentam

por M.J., em 09.02.17

um dos problemas de uma pessoa que está em dieta, reeducação alimentar, cuidados com o que come, enfim, essas coisas, é a quantidade de líquidos que é obrigada a beber.

não é só um copinho de água e pronto.

 

nããããããão.

é suposto ingerir água, chás, legumes repletos de água, montes e montes de líquidos.

 

e qual é a questão fundamental?

é que tudo o que entra tem necessariamente de sair.

e com tanto líquido a entrar é muito líquido a sair.

 

meus senhores, é um abuso!

ninguém consegue fazer nada o dia todo se andar de vinte em vinte minutos a baixar as calças numa sanita.

é ridículo!

às vezes estou numa discussão acesa e percebo que tenho que dar o braço a torcer porque enfim, não é chique dizer "ah espera, não te esqueças que eu estou a ganhar mas temos de fazer uma pausa para ir ali libertar líquidos".

 

deus!

o corpo humano ainda é muito atrasado.

já fomos à lua.

temos internet.

conseguimos pegar em partes do corpo de uns e colar noutros, fazendo uma espécie de pessoa nova.

e nunca ninguém se debruçou a sério sobre a problemática da urina?

nunca ninguém se lembrou, por exemplo, de criar um reservatório que transforme a urina em pó? 

 

ah esperam, não se esqueçam da resposta, mas tenho de ir ali à casa de banho!

 

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é verdade meus senhores, é verdade.

no ano de dois mil e troca o passo M.J. foi trocada pelo cristo ressuscitado.

viu que a sua rival era virgem e tinha sido mãe.

percebeu que contra si estava a cruz e a coroa de espinhos.

 

em dois mil e troca o passo M.J., que saía com um moço de uma ternura que só visto e uns enormes olhos amendoados percebeu que a sua relação - que é sempre uma relação mesmo que as partes a não assumam - estava condenada a romarias e procissões, a coros celestiais e mãos no peito.

 

ainda hoje M.J. ri disso.

é que podemos concorrer com uma ou um que nos apareça no sapato.

mas com o filho de deus, nascido de uma virgem e vivendo ao Alto a coisa já pia mais fino. 

oh vai ver ali:

não faz nem dez minutos.

no caixote do lixo, aberto ao mundo ou a quem o quisesse ver, estava uma garrafa de iogurte liquido e papel de alumínio amarfanhado.

 

quem raio vai tomar o pequeno almoço na cagadeira?

é por uma questão de ligação direta?

na sua longa vida, quase idosa, M.J. namorou com:

 

* um fulano que a deixou para ir viver no pólo norte.

* um fulano que a deixou para namorar com uma atriz de telenovelas.

* um fulano que a deixou para casar com O amante.

* um fulano que a deixou para ser padre.

 

justifique a sua opção, por favor, tendo em atenção que uma delas é mesmo verdade. 

 

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logo à noite vou novamente às lentes (depois desta saga).

 

aposte na sua opção e justifique 

 

i) fujo com a lente num olho e o outro ceguinho;

ii) desmaio (há grandes probabilidades, visto que tem sido recorrente) ao pôr a primeira;

iii) vomito em esguicho ao tirar a única que consegui;

iv) corre tudo bem.

v) outra. qual: _________________

 

 

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soares era fixe

por M.J., em 09.01.17

luto nacional, jornais todos em demanda de informação, gente aos gritos nas caixas de comentários, ruas cortadas e concertos cancelados.

 

sim, não ou talvez?

justifique.

falta de vergonha

por M.J., em 04.01.17

e coragem.

é tudo a mesma coisa?

doze passas?

por M.J., em 01.01.17

não.

dozes roncos!

no sofá!

 

e vós? passas, roncos, champanhe e/ou outro?

oh vai ver ali:


foto do autor



e agora dá aqui uma olhada