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sempre fui uma pessoa com traços depressivos. assumo-me até, na maior parte dos dias, como uma espécie de depressiva crónica.

 - as coisas são como são e só tendo noção delas conseguimos usar de estratégias para seguir com a vida.

tento, por isso, compreender, na sua essência, todos os tipos de doenças mentais. tendo a assumir como sendo o que são as dores provocadas pela descompensação, a loucura e as consequências que daí advêm. tento entender e, na maior parte dos dias faço-o com sucesso, na empatia pela dor alheia.

não consigo, no entanto, apesar de compreender a dor, assumir como apenas doença a entrega à morte de um filho.

não é, para além da doença, a suprema visualização do filho como um objecto que se possuiu?

não é o sentimento de posse elevado ao extremo, sem conseguir desvincular o cordão umbilical? sem conseguir desmarcar-se de que aquela coisa que se atira para morrer é, por si só, uma pessoa e não apenas um pedaço da continuação de si mesmo?

 

quão deturpada não é essa visão?

 

deus! e ainda mandam as pessoas parir!

oh vai ver ali:

publicado às 12:29


2 comentários

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De Magda L Pais a 20.06.2016 às 12:43

não, não é presunção. é doença. É a doença que faz com que estes pais que matam os filhos o façam porque, no entender deles, a morte salva-os de sofrerem. de uma forma retorcida, fazem-nos porque amam demasiado os filhos, porque lhes querem evitar sofrimento. De uma forma estranha, retorcida e anormal, entendem que o sofrimento dos filhos é menor se morrerem juntos. Não os desculpa, de todo, mas é uma doença mental.
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De Joana B. a 20.06.2016 às 16:37

não entendo esta parte, não consigo...

"fazem-nos porque amam demasiado os filhos"

amam demasiado os filhos e fazem uma coisa destas, não consigo perceber.

Sendo que neste caso em específico a família também tem culpa pois se ela no dia 10 já se tinha tentado atirar da ponte com os dois filhos e se na quinta-feira disse à sogra que andava maluca e que ainda ia fazer uma asneira a família não podia deixá-la sozinha com as crianças.

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