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tens uma mão cheia de sonhos mas, por ser mulher, estás cinquenta passos atrás.

 

 

és tu que tens de engravidar e passar por nove meses de tortura (agora até estão na moda os posts acerca do que não te contaram sobre a coisa e que, ao contrário da última tendência que dizia que estar grávida eram só unicórnios, relatam horrores e torturas feias).

os homens, mesmo os presentes, não terão de ter mamas em sangue, nem levantar-se dez vezes por noite para servir de vaca leiteira.

és tu que ficas impulsionada, pelas hormonas, a te deixares ficar para trás em função da vida que deste.

és tu que te sentes altamente responsável pela organização, por manteres a casa, o lar e o diabo a quatro à deriva, porque és mulher e porque às vezes é inato e porque, porra, digam o que disserem, a maior parte de nós ainda é influenciada pela ideia da sociedade.

 

e um dia, olha que bem, acordas e o teu filho cresceu e tu tens mais rugas e o teu marido, sempre a tempo de recomeçar o que tu perdeste com a idade - a procriação -  deixou-te por outra de mamas mais firmes, menos cansada, menos velha, menos triste.

e se quiseres recomeçar estás mais amargurada, mais velha, mais desfeita, mais seca.

mais descrente.

e tudo o que resta é um ninho vazio, umas mamas descaídas e visitas ocasionais no natal e na páscoa para umas selfies de família feliz. 


olha que bela merda, não é?


morro de medo de ter filhos por este cenário.

(ponho as duas mãos no fogo de que comigo será diferente, mas não puseram todas?)


não tenho mesmo apetência para mártir.

(alguém tem?

a martirizar-me - como sempre foi - é pelas dores que são minhas e não controlo. 

que grandessíssima egoísta!

(é mesmo?)

publicado às 10:30


2 comentários

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De Psicogata a 28.07.2017 às 11:39

Há quem ache que ter um filho é expoente máximo do amor entre duas pessoas, que é o culminar desse amor.
Eu acho que um grande amor não precisa de terceiros para ser enorme, intenso e infinito.
Morro de medo que me aconteça o que acontece à maioria das mulheres, de perceber que afinal eu achava que amava, mas que amar a sério só se amam mesmo os filhos e por isso tudo fica para segundo plano, inclusive a relação.
Tenho receio que prejudique a minha relação com o meu marido e já falamos várias vezes sobre o assunto. E se passamos a ser pais em vez de marido e esposa?
O que acontecerá quando os filhos abandonarem o ninho?
Acho que isto não é ser egoísta, é ser consciente.
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De Alexandra Martins a 28.07.2017 às 12:37

Psicogata, apenas posso falar da minha experiência. Tenho uma relação de dez anos que já teve muitos altos e muitos baixos e só aguentou até agora graças a muito amor. Temos hoje um filhote de dois anos e é sem dúvida a maior prova que um casal pode ter, já que toda a nossa vida muda, passamos a rodar em volta de um outro eixo também, temos de nos voltar a equilibrar.
Ainda assim, o meu marido continua a ser o amor mais estonteante que tenho na minha vida e ainda fico maravilhada com isto que sinto por ele. Chamo-lhe um dos meus amores maiores, mas é o que mais me encanta porque a minha irmã é minha desde sempre, o meu filho saiu de mim, agora o meu marido não me é nada e eu amo-o com esta intensidade toda. Sei que pareço tonta e piegas ao dizer isto, mas digo-o com toda a consciência. A nossa relação pode vir a não resultar no futuro, mas nunca duvidarei que ele é o grande amor da minha vida.
E quando o vejo com o filho então o meu coração inunda-se e transborda.
Apenas vocês podem decidir se filhos fazem parte dos vossos planos. Se querem acrescentar um novo amor ao vosso. Mas, pela minha parte, o nosso amor sobrevive e cresce e expande-se ainda mais com a chegada de um piolho :)

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