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tens uma mão cheia de sonhos mas, por ser mulher, estás cinquenta passos atrás.

 

 

és tu que tens de engravidar e passar por nove meses de tortura (agora até estão na moda os posts acerca do que não te contaram sobre a coisa e que, ao contrário da última tendência que dizia que estar grávida eram só unicórnios, relatam horrores e torturas feias).

os homens, mesmo os presentes, não terão de ter mamas em sangue, nem levantar-se dez vezes por noite para servir de vaca leiteira.

és tu que ficas impulsionada, pelas hormonas, a te deixares ficar para trás em função da vida que deste.

és tu que te sentes altamente responsável pela organização, por manteres a casa, o lar e o diabo a quatro à deriva, porque és mulher e porque às vezes é inato e porque, porra, digam o que disserem, a maior parte de nós ainda é influenciada pela ideia da sociedade.

 

e um dia, olha que bem, acordas e o teu filho cresceu e tu tens mais rugas e o teu marido, sempre a tempo de recomeçar o que tu perdeste com a idade - a procriação -  deixou-te por outra de mamas mais firmes, menos cansada, menos velha, menos triste.

e se quiseres recomeçar estás mais amargurada, mais velha, mais desfeita, mais seca.

mais descrente.

e tudo o que resta é um ninho vazio, umas mamas descaídas e visitas ocasionais no natal e na páscoa para umas selfies de família feliz. 


olha que bela merda, não é?


morro de medo de ter filhos por este cenário.

(ponho as duas mãos no fogo de que comigo será diferente, mas não puseram todas?)


não tenho mesmo apetência para mártir.

(alguém tem?

a martirizar-me - como sempre foi - é pelas dores que são minhas e não controlo. 

que grandessíssima egoísta!

(é mesmo?)

publicado às 10:30


2 comentários

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De Alice Alfazema a 28.07.2017 às 11:26

Não é bem assim, provavelmente vamos todas ficar com as mamas descaídas tendo ou não tendo filhos, é uma questão de gravidade, mamas, braços, pescoço e por ai fora, ou então ginásio com elas.

Ser mãe é uma coisa intuitiva, e ainda tens cerca de nove meses para te habituares à ideia, por isso é que dizem "não me contaram", blá, blá...não me contaram porque o que é mau para uns é bom para outros, ou menos mau.

Se pensas nisso não deixes passar muito tempo até concretizar a ideia, porque o melhor de ter filhos é passarmos o testemunho e fazê-lo com a massa cefálica ainda relativamente jovem é deveras melhor.

De um modo ou de outro todos ficamos amargos, por um motivo qualquer que não nos satisfaça, temos objectivos diferentes e isso nos leva a diferentes direcções, não podes andar por todo o lado ao mesmo tempo, a vida é feita de escolhas, muitas vezes as pessoas estão amargas com o que têm porque pensam que aquilo que o outro tem é melhor.

Por vezes também me sinto assim, amarga, e penso poderia ser diferente, podia, mas aí tinha perdido tanta coisa boa que ganhei com os meus filhos, poderia viver sem eles, todos podemos, mas seria um vazio enorme.
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De M.J. a 31.07.2017 às 12:58

concordo com tudo mesmo não concordando.
nunca podemos saber o que sentirimos na vida sem o termos passado.
podes imaginar que sentirias um vazio enorme sem eles, se os perdesses agora (bati três vezes na madeira). mas não podes saber se sentirias esse vazio se nunca os tivesses tido ;)

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