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tens uma mão cheia de sonhos mas, por ser mulher, estás cinquenta passos atrás.

 

 

és tu que tens de engravidar e passar por nove meses de tortura (agora até estão na moda os posts acerca do que não te contaram sobre a coisa e que, ao contrário da última tendência que dizia que estar grávida eram só unicórnios, relatam horrores e torturas feias).

os homens, mesmo os presentes, não terão de ter mamas em sangue, nem levantar-se dez vezes por noite para servir de vaca leiteira.

és tu que ficas impulsionada, pelas hormonas, a te deixares ficar para trás em função da vida que deste.

és tu que te sentes altamente responsável pela organização, por manteres a casa, o lar e o diabo a quatro à deriva, porque és mulher e porque às vezes é inato e porque, porra, digam o que disserem, a maior parte de nós ainda é influenciada pela ideia da sociedade.

 

e um dia, olha que bem, acordas e o teu filho cresceu e tu tens mais rugas e o teu marido, sempre a tempo de recomeçar o que tu perdeste com a idade - a procriação -  deixou-te por outra de mamas mais firmes, menos cansada, menos velha, menos triste.

e se quiseres recomeçar estás mais amargurada, mais velha, mais desfeita, mais seca.

mais descrente.

e tudo o que resta é um ninho vazio, umas mamas descaídas e visitas ocasionais no natal e na páscoa para umas selfies de família feliz. 


olha que bela merda, não é?


morro de medo de ter filhos por este cenário.

(ponho as duas mãos no fogo de que comigo será diferente, mas não puseram todas?)


não tenho mesmo apetência para mártir.

(alguém tem?

a martirizar-me - como sempre foi - é pelas dores que são minhas e não controlo. 

que grandessíssima egoísta!

(é mesmo?)

publicado às 10:30


3 comentários

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De Silent Man a 28.07.2017 às 15:22

Bem... Acho que sou o primeiro PAI a falar, por isso venho dar o meu feedback...

Então é assim, quando eu e a minha mulher decidimos engravidar, estávamos juntos há sensivelmente 6 meses. Ainda nem sequer tínhamos pensado em casar. E engravidámos em aproximadamente 15 dias. O nosso plano não era esse, de todo. Contámos com pelo menos três meses em que o corpo se iria habituar após muitos anos de pílula, umas férias no paraíso e algum álcool antes da gravidez. Não aconteceu.

Felizmente, tivemos uma gravidez santa. Não houve enjoos, só ciática nos meses de maior calor e azia no último trimestre.
Fiz o curso de preparação para o parto (e aconselho-o a todos os pais e mães) e fiquei com o grosso da licença de maternidade porque a minha mulher é profissional liberal e se não trabalha... não recebe! 15 dias depois de sermos pais, lá foi ela trabalhar.

Em relação àquilo que nos aconteceu após sermos pais? Tivemos muito mais altos que baixos. Sempre tivemos discussões como todo e qualquer casal, mas passámos a ter menos após sermos pais. Passaram também a ser menos graves. E acima de tudo, eu cresci. Muito.

Normalmente, quando o homem da relação está preparado para ser pai e isso se torna uma realidade, as coisas melhoram. O Homem cresce. E a relação melhora. Se não está preparado, ou se durante a gravidez, ele não se mentaliza de que algo vai mudar e não se prepara, pode correr mal. Não vou defender os homens, coitadinhos, porque as mulheres mudam tanto e até faz sentido que eles pulem a cerca. Acho isso um acto execrável e cobarde e seria incapaz de faltar ao respeito à mãe do meu filho a esse ponto.

Posto isto, as mulheres também não são umas coitadinhas... Têm boca para falar, queixem-se, imponham-se, definam regras. Claro que há sempre aquela coisa do "As pessoas mentem". Pois é. Mas bolas, é suposto vocês conhecerem o homem com quem estão. Aqueles que contam a história da Carochinha e conseguem enganar as mulheres após tantos anos de namoro, contam-se pelos dedos, hoje em dia. É mais fácil reconhecer um pintarolas. E já a sabedoria popular diz que mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo.

Compreendo os medos mas, assumindo que somos todos crescidinhos aqui, não tomamos as nossas decisões impulsivamente e, mais importante que isso, conhecemos a pessoa com quem estamos e ela está no mesmo diapasão que nós, acho que não há grandes problemas.
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De M.J. a 31.07.2017 às 13:07

agora admiro-te ainda um bocadinho mais.
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De Silent Man a 31.07.2017 às 13:44

Obrigado Éme Jota, é bom saber isso. Seriously. No irony.

Há um factor que eu não mencionei no meu comentário. Quando a gravidez não é planeada.

Ah e tal estamos juntos e olha, engravidei. Nesse caso, é preciso um crash course daquilo que eu escrevi lá em cima. São apenas nove meses. Pode parecer muito, mas passa num instante. Normalmente, as gravidezes são detectadas entre a 5ª e 8ª semanas, o que significa que dos 9 já só sobram 7 e, a dois/três meses da criança nascer, é preciso que já esteja instalado o programa, mesmo que ainda não a funcionar em pleno. São três ou quatro meses em que ambos têm de perceber o que lá vem, o que pretendem e como vão abordar a situação. Não é fácil.

É nestes casos que na maioria das vezes acontece o que descreves no post. E é nestes casos que tanto o Homem como a Mulher merecem uns cascudos na tola. Porque azares acontecem, é certo, mas há formas de tratar do assunto e tempo para o fazer. Não estão preparados, não compraram o bilhete para a viagem mas estão dentro do comboio? Saltem antes da última estação e não olhem para trás nem se fiquem a sentir mal. Salvaram três pessoas de muitos problemas e chatices...

E mesmo nos casos em que levaram a gravidez até ao fim, em que o cenário que descreves aconteceu e agora aos quarenta e tal a vida parece que vos fugiu das mãos e está tudo desmoronado, olhem para o que resta da vossa vida, olhem à volta e lutem. Ficar parado em auto-comiseração é que não...

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