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banalidades

por M.J., em 28.06.16

dói-me o pulso direito. resultado de tantas horas no pc. agora sinto um ligeiro formigueiro, mesmo abaixo da mão que aumenta até uma dor desproporcional para um pedacinho de corpo. entenderia uma dor deste nível numa perna ou num braço. apenas num pedaço dele é incompreensível.

assim como assim escrevo agora muito mais devagar devido à dorzinha que se propaga pelo pulso.

o facto de ontem não ter trabalhado pôs em descanso o dito e ajudou. o rapaz vestiu o fato e fez a defesa, num inglês mascavado, como o açúcar, de que percebi pouco, quase nada. não sou grande esposa. deveria ter-me sentado com ar mais atento mas perdi a concentração, tal como perco o foco para tanta coisa, e li meio livro no tablet. 

no fim o homem passou com distinção ou foi aprovado com distinção, não percebo grande coisa daquilo e eu fiquei, muito paradinha na esquina de uma sala, vendo passar suas ilustres pessoas, todos muito sabidos, com docs e pós docs e mais docs houvesse, passar por mim. 

fico sempre prostrada perante as sumidades: a minha inteligência é tão pequena que cabia, toda ela, numa casa dos botões das suas camisas engomadas e sinto necessidade de me tornar invisivel.

à noite, para festejar, não houve jantares, amigos a dar com paus, famílias e afins. o rapaz quer sopas e descanso e por mim tudo bem. esparramamo-nos no sofá, ambos os dois, a ver game of thrones do que é fã.

a meio senti a porta do prédio bater com um estrondo.

o casal do lado subia as escadas batendo com os pés no chão a toda a força e lançando impropérios com os pulmões bem cheios. quando entraram em casa explodiam pessoas na tv e explodiam palavras ácidas, das feias, na casa ao lado. a voz da vizinha chateava-me mais do que a cersei no trono ou o mindinho a proclamar amor. 

aumentei o som.

tripliquei o volume. o rapaz resmungou mas não ouvi, no barulho atroz que saia da tv. o prédio ouviu, todo ele, durante longos minutos, a banda sonora da coisa, uma das melhorezinhas de sempre. foi a primeira vez que explorei o volume da tv naquele nível.

bastante potente.

 

os vizinhos perceberam a mensagem.

no medo de sangue e espadas e da louca do lado calaram-se, a voz esganiçada da gaja que me faz sempre lembrar catequistas histéricas, enfiada de uma vez por todas, no rabo.

que GOT é bom já sabia. mas que tem o poder de calar vizinhos barulhentos ainda não.

 

hoje, para compensar, a dor no pulso triplicou.

 

oh vai ver ali:

publicado às 11:00


2 comentários

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De nervosomiudinho.blogs.sapo.pt a 28.06.2016 às 11:05

Parabéns a ele ;)
E o episódio foi muito bom, a banda sonora foi soberba. (A minha parte preferida foi mesmo a lady olenna a calar as outras três)
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De M.J. a 28.06.2016 às 15:56

a banda sonora é qualquer coisa.
faz meia série.

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