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coisitas

por M.J., em 05.09.16

às vezes penso em suicidar-me.

não é tão banal como quem pensa nas cuecas a usar durante o dia mas, sendo parte de mim, não é tão sério como quem vai à missa.

é apenas um pedacito daquilo que pondero, nas contrariedades e frustrações que a vida - e eu própria - me presenteia.

houve um tempo em que foi uma ideia fixa. era certezas e solenidades, atenção e desamor, frustração e sensação de perda completa num absurdo dos dias. nunca a perdi, numa espécie de solução, que me persegue para as horas mais escuras.

é algo ponderado com o mesmo nível de quem faz uma viagem: valerá a pena? será inútil? em comparação com o quê? por que não? desperdício de que forma? por que sim?

 

desprezo, nessas ponderações, todas as pequenices, ideias e motivos que o comum mortal - eu lá metida, na normalidade - arranja. fico sentada, com os pés bem juntos, prestes a escarnecer, a dar pontapés, a usar dos saltos de agulha em motivos tacanhos e corriqueiros. pego nas frases de motivação, letras e palavras e as pedras e os castelos e os unicórnios e o seguir e a vida e deus e a bênção e o milagre que somos e a continuidade e o egoísmo e a esperança e o depois, e junto tudo numa bola que cheira mal. repudio esses dissuadores com toda a garra possível. fico numa vitimização arrogante dizendo a mim e ao mundo que estou além. sou mais e muito menos do que o que leva o comum dos mortais - eu lá metida, na normalidade - a prosseguir.

e no meio de tudo, dos dias negros e da ausência, nas horas de desistência, nas ponderações, nos momentos de raciocínio ponderado ou de lapsos de loucura em que a ideia ribombou como certezas, nada, nem egoísmos, nem cobardias, nem amigos, nem família, nem eu, nem os outros, nem as  motivações, nem as pedras e os castelos, nem as frases, nem a paroxetina, nem nada me dissuadiu.

apenas e só a esperança:

sou dotada de uma absurda esperança que se transforma em resiliência, em sobrevivência, em vida, em prosseguir, em estar, em ser. que me domina mesmo quando a desprezo com força. que me persegue mesmo quando a única coisa que queria era não ter a mínima esperança na certeza de que isso me levaria ao objectivo proposto.

 

há quem seja dono de força, de beleza, de inteligência, de boas ancas, de altruísmo incondicional. há quem seja detentor de uma fabulosa inteligência emocional, quem não se detenha nas contrariedades, quem seja simpático, quem seja bonito, quem seja extremamente alto.

eu sou - para meu mal em muitos dos dias - dotada de uma extraordinária capacidade de esperança que permanece apesar de a calcar, lhe chamar nomes feios, a atirar para o canto do desprezo e do asco.

é castigo.

mas cada qual com as suas. 

oh vai ver ali:

publicado às 10:00


2 comentários

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De sarabudja a 05.09.2016 às 11:28

Essa tua Esperança é das boas. Que se mantenha, que Te mantenha, que Te faça sentido.

(Hoje, muito cedo (mesmo muito cedo), pensei em ti e na Magda, a propósito de um texto teu sobre os jogos olímpicos. Juro que não tenho nenhuma tarazinha convosco. Mas dei comigo a fazer a análise de cada uma.
Amanhã ponho a música mais alto enquanto caminho. O problema foi esse. Dou-me muito silêncio que ocupo com pensamentos. Depois queixo-me de exaustão.)
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De M.J. a 06.09.2016 às 15:32

e então?
a que conclusões - doutas ou não - chegaste sobre nós ambas, eu e a magma?

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