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da real amizade

por M.J., em 18.08.15

o mundo acha que a amizade se mede nos maus momentos. há dezenas de frases sobre isso. que o amigo fica ali, de lenço com cheiro a menta a limpar as lágrimas do outro. que liga às quatro da manhã quando a pessoa não consegue dormir. que abandona tudo e mais dois pares de meias no momento mau do outro.

o mundo avalia a amizade pelo exacto momento de desespero em que a vida precisa de um abraço.

aprendi com o tempo que isso é uma falácia.

é que o mundo tem tendência a sentir empatia pelo mundo que sofre. a pessoa sente obrigação, quase imediato dever em estender a mão à pessoa que está em baixo enquanto pensa, muitas vezes, dizendo palavras banais de consolo, que ainda bem que não é ela que está a passar por aquilo.  enquanto diz que tudo vai ficar bem concluindo por si proprio no quanto é feliz na sua vidinha por comparação ao desgraçado do amigo que sofre. somos formatados para sentir compaixão e usamo-la para medir o grau de bem estar na nossa própria vida.

não vale a pena negar isso. não podemos ser todos jesus cristo ou a madre teresa de calcutá.

difícil é sentir genuína alegria pelos amigos nas suas conquistas. na verdade, mais difícil que ouvir alguém chorar no nosso ombro é manifestar, sem cinismo, uma alegria, uma felicidade pelo facto de aquela pessoa evoluir ou se sentir feliz. mais difícil que chorar com alguém é não manifestar sentimentos de complacência quando o outro alguém chega ao mesmo patamar que nós pensamos já ter chegado e se sente vitorioso por isso. mais difícil é ter alguém na vida que, em vez de ficar a apontar pontos negativos das nossas conquistas, abanando a cabeça com descrença e dizendo que é sol de pouca dura, tem um verdadeiro sorriso, um verdadeiro sentimento de amizade pelo que vamos conseguindo. 

qual foi a última vez - vá, confessemo-nos sem hipocrisia, avaliando mesmo o que somos - que sentimos real alegria pela conquista de alguém que, não sendo nossa família, nos confessou o quanto se sentia bem? quantos de nós festejamos, no último ano, a vitória de alguém mesmo a vitória sendo só desse alguém?

posso garantir que apenas o senti esse sentimento (sem ser pela minha família de sangue - tão pequena, a real - e pela família a que me uni) apenas por duas únicas pessoas. senti-me mais feliz por elas do que por mim e vivi as vitórias delas ainda mais efusivamente que as minhas: dela sou amiga vai fazer doze anos e dele vai fazer dezoito. serão os meus padrinhos de casamento e amo-os como os irmãos que nunca tive.

afinal, vai-se a ver, e nem tudo no casamento é pirosada. 

publicado às 13:33


10 comentários

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De Magda L Pais a 18.08.2015 às 14:33

há amizades assim e essas, normalmente, são as que sobrevivem a tudo, de facto
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De M.J. a 18.08.2015 às 20:45

essas são, talvez, as únicas que valem a pena.
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De Cris a 18.08.2015 às 21:35

É que tens toda a razão! Ena pá, os amigos são os que ficam felizes quando estamos felizes!
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De M.J. a 21.08.2015 às 12:27

e quantos tens desses?
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De Cris a 22.08.2015 às 23:21

Contam-se pelos dedos de uma mão.
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De M.J. a 25.08.2015 às 00:22

sei bem o que é isso.
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De Maria Araújo a 21.08.2015 às 10:55


Tens toda a razão.
Beijinho
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De M.J. a 21.08.2015 às 12:27

beijos
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De Isa a 21.08.2015 às 23:54

não sou religiosa mas, ámen!
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De M.J. a 25.08.2015 às 00:22

amén irmã.

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