Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
toda a gente sabe que as mãezinhas que colocam fotografias dos rebentos em blogs, facebook e tudo o que é rede social o fazem para bem dos filhos. sabemos isso porque a partir do momento em que a mulher abre a pernoca para conceber e se torna mãe santifica-se completamente e tudo o que faz é para o bem estar da cria.
ninguém pode pôr isso em causa.
é lei.
portanto, todas aquelas fotos que se espalham na net como cogumelos repolhudos, de grandes cabeças maiores que cus são na verdade, para fomentar o crescimento da criança, para aumentar o bem estar da mesma, para contribuir para o seu desenvolvimento pessoal. faz-se unicamente por ela. não se quer absolutamente nada em troca.
a criança aparece de cuzinho à mostra ou numa banheira de pirilau ao léu mas é tudo na paz, na inocência, só faz bem, ninguém vai pensar mal nenhum daquilo porque são seres puros na fotografia e toda a gente sabe que quem as vai ver é também puro, de uma pureza de cristo porque também foi bebé um dia.
pôr os putos em todas as situações, posições, quase contracções pela net fora é digno! é relevante! serve-lhes. não é nada igual às senhoras que ficam fechadas dentro de uma casa quatro meses, cheia de cameras, a treinar para conceber, não senhor que essas são putas e ainda não conceberam. se fossem senhoras já com bebés na barriga não. aí seria para o bem dos filhos, para ganhar dinheiro para eles.
vestir os putos com roupas que as marcas dão e depois fotografá-los, descrevê-los, espalhar com as trombas deles em tudo o que é sitio não é por dinheiro, deus me livre, mãe que é mãe é santa e não faz isso. é para inspiração das outras mães, para a partilha, para as pilhérias inocentes trocadas com os outros seres divinos que partilham o milagre da vida.
não é por dinheiro, não é. mas se fosse meus senhores, se fosse em vez de deixarmos likes e seguirmos esses blogs acusávamo-las de exploração infantil.
assim não.
sacamos do tablet, do pc, do telemóvel e comentamos com gosto as fotos "ai tão giro, ai tão crescido, que fralda tão bonita, que corte de cabelo tão catita, que meio dente tão lindo" enquanto entramos no comboio ou no metro abanando com descrença a cabeça aos pais que põem os seus filhos ali a pedir-nos uma moeda.