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a notícia é esta:

O "jogo do muelle" é simples e começou a ser divulgado em vídeo já há cerca de 3 anos nas redes sociais: vários rapazes sentam-se lado a lado, nus da cintura para baixo. Depois, e sem preservativo, as raparigas sentam-se em cima de cada um deles e vão trocando de parceiro consecutivamente. O objetivo é não ejacular e o último rapaz a atingir o orgasmo é o vencedor.
Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/roleta-sexual-preocupa-medicos-em-espanha

 

este parágrafo chega, ainda que o conteúdo vá por ali abaixo.

há miudas que dizem que "não sabiam que podiam engravidar" porque era só um jogo. outras pensam que não tem mal nenhum porque eles usam preservativos, mesmo que elas vão colocar o pipi (hoje estou contida no vernáculo) no mesmo sítio onde outras o colocaram no segundo anterior.

no meio disto tudo, não sei o que me enoja mais. se a total perda de valores acerca da intimidade, se a absoluta banalização do sexo, se a promiscuidade porque é giro, se a incapacidade de se visualizar como menor e sem capacidade de abarcar aquele acto na sua totalidade, se a pseudo ingenuidade de "não sabia que podia engravidar porque era um jogo", se a desresponsabilização dos responsáveis.

 

quando tinha oito anos, a minha visabó, uma mulher avançada para a época em que vivia, nascida e criada no meio da serra, decidiu preparar-me não vás tu ser mulher muito cedo, e contou-me que aos doze anos, quando lhe veio a história, uma coisa que acontece quando deus quer que as meninas comecem a ser mulherzinhas, pensou que estava tuberculosa e ia morrer.

assim mesmo.

que foi à retrete depois de vir dos lameiros com um molho de erva, e viu que havia sangue. e que por isso desatou a correr, numa choradeira histérica, por entre as terras da aldeia, na procura da mãe, anunciando ao mundo que estava tuberculosa porque deitava sangue pelas partes baixas. 

esta história foi real e a minha bisavó quis assegurar-se que a sua bisneta mais nova não ia sair a correr pelo meio da serra gritando ao mundo que o período a ia matar.

ou que o facto de lhe nascerem pelos debaixo dos braços a punha com defeito. 

 

os receios da minha bisavó eram infundados. na escola  - uma escola no meio da serra (para a qual ia de autocarro todas as manhãs, em dias que não avariava com o gelo) - foi-nos ensinado, a rapazes e raparigas o que era a menstruação, como se engravidava, o que eram métodos contraceptivos, entre tudo o que envolvia o sistema reprodutor. a professora encarou a informação com tamanha rigidez que ao fim de dez minutos da primeira aula ninguém tinha vontade de rir mas só perceber como entender ciclos e folículos e contracetivos no seu funcionamento.

 

isto aconteceu há cerca de vinte anos atrás.

 

nestes vinte anos a internet revolucionou o mundo. os miudos da minha serra continuam a ir de autocarro para a escola mas levam telemóveis com toda a informação que quiserem no bolso. têm acesso ao que precisam, de uma forma que eu só tinha se fosse à encicolpédia ou perguntasse.

a verdade é esta: os miudos não precisam de perguntar.

 

então de quem é a culpa?

de quem é a culpa das contínuas gravidezes fora de horas? de onde vem a justificalção para "eu não sabia que se engravidava na primeira vez", "era só um jogo", "se ele não fizer dentro não é preciso preservativo"?

como é que num tempo destes estas coisas ainda acontecem?

 

como é que num tempo destes se permitiu uma banalização tão completa, uma incapacidade de perceber a intimidade como um todo, a degradação absoluta de si próprio, em troca de fluidos vaginais numa festa?

em menores de dezoito anos?

 

onde andam os pais, os educadores, os professores, os tutores, os influenciadores, ou outra coisa acabada em "ores" destas crianças?

e por que é que ninguém os responsabiliza?

publicado às 11:00


1 comentário

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De nada acontece por acaso a 10.01.2017 às 13:30

Ainda estou atónita tamanha a minha incredulidade com esta notícia...
Jovens tão modernos, sempre à frente das novas tecnologias e redes sociais, e depois tãooooooooooo estúpidos ao mesmo tempo.

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