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jurei que ia entrar em 2017 muito mais contida no vernáculo.

faz parte do crescimento. uma pessoa deita-se e acorda e deita-se e acorda e, se não cresce, tanto deitar e acordar só serve para gastar colchões.

 

ainda assim há coisas que prontos (com s), me enervam a pontos de não perceber muito bem qual a reacção a adoptar, tanto mais que, enfim, uma pessoa não pode começar aos gritos com o ecrã prometendo porrada e caralhadas só porque, seja, não entende o mundo.

a notícia que agora vos deixo foi lida - creio - no fim de semana.

ontem a filipa falou sobre ela (e disse grande parte do que eu queria dizer) e após ler os comentários fiquei ainda com mais ânsias porque, mesmo sendo abordado, não me foram esclarecidas uma série de interrogações que me apoquentam.

e do que falas M.J., diz lá.

de um protesto por parte da federação portuguesa de cicloturismo devido a... rufem os tambores: 

"Em causa, está a obrigatoriedade do uso do capacete pelos ciclistas, considerando os organizadores do protesto "um evidente desincentivo ao uso da bicicleta para curtas deslocações e a baixa velocidade".

portanto, vamos lá dissecar a coisa:

* as pessoas gostam de andar de bicicleta.

* há pessoas que gostam tanto que circulam no meio da estrada - têm direito, pois têm - a par com outros - têm direito, pois têm - encalacrando o trânsito todo (tal como o ti manel lá da aldeia, no seu papas reformas) - têm direito, pois têm.

* as pessoas atrás enunciadas sabem que existe uma grande "mortandade" na prática do seu passatempo, derivado de (sim, hoje estou para escrever mal) pessoas que conduzem carros, camiões, motas e motinhas - esses vilões - andarem no meio da estrada, em vez de circularem nas pistas que lhes são devidas. 

* as pessoas atrás enunciadas estão tão obcecadas com os seus direitos e com os vilões que conduzem coisas com motor, que preferem essa mortandade a ser minimamente equiparados a veículos motorizados, no que a deveres diz respeito.

é isso?

é isso?

 

vamos lá ter calma, que não pode ser isso.

pedalar causa a ideia, em quem o faz, que têm um crânio de aço?

o facto de terem umas coxas amplamente musculadas e o ritmo cardíaco de um jogador de futebol transforma-os numa espécie de deuses a desdenhar objetos que lhes aumentam a segurança?

mesmo conduzindo com duas rodinhas entenderão que se caírem a cabeçorra vai manter-se imaculada?

 

e depois passando à argumentação, a segurança pode desmotivar a pessoa a andar de bicicleta? e isso é mau?

oh meus amigos! se alguém quer andar de bicicleta sem segurança é bom que se desmotive se for obrigado a tê-la, não acham? não deviam dar vivas por isso, ou na vossa obsessão de pôr as pessoas a fazer exercício físico chegaram a uma espécie de demanda que antes morto que sem pedais?

 

há aqui qualquer coisa - como há em todas as coisas extremas - que escapa à percepção do comum mortal.

não entendo o que pensará um desportista que prefere pôr em causa a sua segurança e a dos outros, apenas e só porque é chato. o que dirá alguém que defende isto se vir alguém a correr, de noite escura, no meio da estrada sem sinalização?

ah, ainda bem que está assim, que o que interessa é correr e se pôr o colete desmotiva ao exercício... antes morto que no sofá. 

 

não consigo perceber. juro que não, e nem é por maldade ou por não querer fazê-lo.

já me custa entender que um grupo de homens feitos - que conduzem possivelmente todos os dias - se arrisquem a circular de bicicleta aos pares, em estradas de curva e contracurva no meio da serra (com a ciclovia ao lado), sem visibilidade alguma.

agora que a federação destes senhores seja contra o uso de capacete - que lhes dá segurança a eles - é coisa que não me entra na mioleira.

 

oh loira, tu que percebes disto, anda cá, ajuda-me: afinal o que vai na mente do pessoal que pedala, no que diz respeito a isto?

 

 

publicado às 11:31


5 comentários

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De Lady Kina a 11.01.2017 às 14:19

Eu, enquanto peão e utente de transportes públicos, fico ansiosamente a aguardar que me obriguem a usar capacete: é que atravesso estradas, nem sempre com/nas passadeiras, e se por algum infortúnio me calha ser atropelada, considero que o uso do capacete teria óbvias vantagens (nem que não as atravesse, o povo sabe que às vezes os veículos galgam os passeios). Nos autocarros, comboios e metro, idêntica situação ocorre. A pessoa está ali sossegada, a olhar pela janela e, às tantas, dá-se o acidente, ou até uma árvore que cai, com o vento, e lá está, toda a gente estaria muitíssimo mais protegida se usasse um capacete. Vendo bem as coisas, até, espero que haja alguém com o bom senso e coragem suficientes para decretar o uso obrigatório de capacete, assim, sem mais, em todo e qualquer lugar, sob qualquer circunstância, sendo que aquelas pessoas irresponsáveis que optem por não rapar o cabelo, só o poderão tirar para lavar a cabeça em banho de imersão e sentados em cima de um tapete antiderrapante, no duche não podem porque é evidentemente perigoso. Fico cega dos nervos sempre que penso que existem mães que saem da maternidade, após parir, sem o capacete enfiado nas frágeis moleirinhas dos seus bebés, são pessoas muito más que deviam ser proibidas de ter filhos, eu cá acho. Enfim, para mim, é isto.


(acaso optes por não publicar o meu comentário, faz-me um favor e não te ponhas a responder-me, pode ser?)
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De M.J. a 11.01.2017 às 14:24

olha lá kina, por que motivo insistesem perder tempo a ler e comentar o que escrevo se te abespinhas tanto? (é que isto já vem de há anos).

é uma daquelas coisas que me apoquentam a alma. lá ter alguém que não goste das minhas opiniões aceito bem. ter alguém que nunca gosta delas e continua a lê-las entra num nível de masoquismo que nem a gaja das cinquenta sombras do outro consegue suportar.
gostarás tu de chicotes e vendas e porradinha no lombo?
é que repara, este blog nem é dos famosos...

quanto ao que dizes: quando for permitido aos peõs caminharem a par no meio de uma estrada, não se desviando para passar os carros, então fará sentido. até lá... é só mais do mesmo: embirração (que eu entendo, é recíproca).
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De Lady Kina a 11.01.2017 às 14:50

Há coisas com as quais embirro, sim, e tu não és uma delas. Já com o que se segue, pode dizer-se que embirro um bocadinho, embora também dependa dos dias:

"agora que a federação destes senhores seja contra o uso de capacete" -

aquilo que aqui afirmas é falso, pura e simplesmente, porque o que está em causa é serem contra o uso obrigatório do capacete em toda e qualquer circunstância (o que legitimamente pode ser considerado ridículo, não obstante haver igualmente argumentos a favor dessa obrigatoriedade) e não serem contra o uso do capacete, situação (imaginária) que vens a ridicularizar. Embirro um bocadinho com falácias, é verdade, contra ti nada.

(de resto, hei-de continuar a cá vir, mesmo sem capacete, se isso não te causar grande transtorno, caso contrário, estou certa de que encontraremos uma solução)

(e deixa-te lá de merdas que já não te vinha chatear há muito tempo, caramba, vá, agora só volto na primavera)
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De A Loira a 11.01.2017 às 15:02

"o que está em causa é serem contra o uso obrigatório do capacete em toda e qualquer circunstância"

Lady Kina, eu sou ciclista, um dia destes fui pedalar para a pista aqui da cidade, onde só circulam ciclistas e passei por um senhor que se desequilibrou por pura distracção, bateu com a cabeça no chão e... não sei como hei-de explicar, mas imagina uma pequena mangueira a deitar sangue, a cabeça dele era isso, ele estava inconsciente e da cabeça saía um rio de sangue, saía não, aquilo parecia uma torneira. Não sei como ele ficou, só sei que eu preferia não ter visto aquilo e que se ele levasse capacete, apesar de ter ido dar só uma voltinha e não ter pedais de encaixe, nem licras fluorescentes, nem luvas, nem óculos xpto, nem uma bicicleta de carbono que lhe custou milhares de euros, talvez tivesse ficado muito melhor da pequena queda por distracção.
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De Ricardo_A a 11.01.2017 às 18:23

O argumento de que preferias não ter visto esse senhor a jorrar sangue, sentimento que eu compreendo porque não deve ser agradável, também pode ser usado para inúmeras coisas.

Porque não obrigar que nos saltos de trampolim os ginastas tenham de ir vestidos com fatos almofadados e capacete ? Não é nada agradável ver um desgraçado qualquer com a perna ao contrário ou com a cabeça aberta.

Há inúmeras coisas em que se arranjam "bons motivos" como este para limitar a liberdade individual quando o principal interessado em, alegadamente, se proteger é mesmo o próprio.

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