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ninguém me quer

por M.J., em 22.09.17

e não sei o que fazer quanto a isso!

 

mudei para coimbra fez dois anos no início deste mês.

mudei oficialmente de residência no cartão de cidadão. não posso votar na minha terrinha, o que me entristece e, para os devidos efeitos é aqui que moro.

para todos os efeitos: legais, financeiros e até publicitários que nunca uma caixa de correio, em nenhuma outra cidade teve tanto lixo como esta. vivo aqui para todos.

excepto para o SNS (que é como quem diz o sistema nacional de saúde).

para esse não. para esse ainda estou na aldeia e não devo sair de lá porque aqui, nesta cidade dos grandes, já têm muita sarna com que se coçar.

é isto.

 

preciso de um médico de família.

preciso mesmo.

e é obtuso ter de fazer duas centenas de quilómetros para ir a uma consulta de quinze minutos pedir certidões para análise, visto que a minha médica de família é na terra dos papás e nesta cidade nenhum centro de saúde me aceita.

leram bem: nenhum me aceita.

é obtuso pagar 100 euros por uma consulta no ginecologista, mais 30 por uma ecografia e mais 40 pela análise de uma citologia. ou 70 por análises ao sangue. sim, 70 euros era quanto tinha de pagar se não tivesse as credenciais que só a minha médica de família pode passar. é ridículo. não se pode dizer que passe por graves dificuldades económicas mas isto meus senhores, isto é esbanjar.

e eu sou absolutamente contra o esbanjamento. 

 

mudei de morada oficialmente porque foi essa a informação que me deram no centro de saúde da minha área de residência. era isso que precisava para poder mudar de médico de família. e quando, muito orgulhosa de comprovativo de morada na mão, fui para mudar disseram-me, com uma lata que só visto, um arzinho de "és mesmo atrasada rapariga" que a fila de espera para médico de família era de anos. anos. no plural. e que não havia nenhuma alternativa a não ser ir a outro centro de saúde. e fui. e nenhum me aceita porque, pasmem-se, tem de ser este, da minha área de residência, a dar-me uma resposta.

 

ninguém me quer, está visto. 

preciso de fazer duas centenas de quilómetros para uma consulta básica de rotina.

porque nesta cidade, de doutores, de sonho, de fado, de estudantes e de gente que caminha com o nariz tão em pé que poderia cair num buraco sem perceber, não me aceitam.

e eu não conheço o tio da avó da prima do cunhado do melhor amigo do director do médico ou da administrativa que me dê uma resposta a sério e não me olhe como se eu fosse atrasada mental a pedir cem mil euros ao cristiano ronaldo para comprar uma máquina de lavar louça.

é isto.

ninguém me quer.

 

que consumição. 

publicado às 11:30


10 comentários

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De M.J. a 22.09.2017 às 12:08

soube hoje, à bocado, por uma pessoa que passou por lá a perguntar, que me deviam ter dado papeis para me inscrever. nem isso me deram. mandaram-me embora de rabo entre as pernas. devem ter achado que eu era louca.
também era a informação que eu tinha. não me interessa um médico fixo, se não houver. mas preciso de um que, mesmo não sendo fixo, passe as credenciais necessárias assim como as consultas de planeamento familar.
vão obrigar-me a passar por lá outra vez, mas desta feita não com tanta simpatia.
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De Alexandra Martins a 22.09.2017 às 12:15

Que cambada de bestas que às vezes estão a lidar com as pessoas. Tudo porque não querem ter trabalho! Opah revolta-me a sério!
Boa sorte da próxima vez que fores!

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e agora dá aqui uma olhada