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pais e espermatozóides

por M.J., em 25.01.17

um dos meus maiores medos na maternidade é que, depois de dar luz à vida ou vida à luz ou seja lá como lhe chamem, o rapaz se passe e eu fique governanta única de um puto cagão, limpando fraldas, dói-dóis, xixis e mauzões na escola. 

 

quando revelo isto, em jeito de confidência, a quem nos conhece é gargalhada garantida. é que não só o rapaz é a pessoa mais responsável da face da terra, como até com o cão - que tivemos uma semana - se apegou de tal forma que parecia terem sido criados juntos em comunhão de corridas e vai buscar.

 

mesmo assim tenho arrepios na espinha quando penso nisto. quando vejo/leio/ouço mulheres a dizer que fazem tudo sozinhas em casa, que o marido/amante/namorado trabalha e não tem paciência. que são elas que vão buscar e levar os putos a todo o lado, desde médico, catequese, cagadeira e creche. que são elas que se levantam a meio da noite, todas as noites, para ir acalmar pesadelos e birras. que são elas que vão envelhecendo precocemente porque são mães e logo, têm mais dons para a coisa. quase num orgulho do "eles preferem-me a mim" e por isso vou-me matando aos pouquinhos enquanto o meu marido vê futebol na sala e se levanta às duas da tarde.

 

é que acredito que estas mulheres, a não ser que tivessem vocação para o sacrifício, estavam convencidas que as suas crias teriam um pai e não só um espermatozóide

e depois, afinal, até o espermatozóide era fraquinho. 

 

acredito que todas as pessoas se passam. que toda a gente tem potencial para largar tudo e tentar recomeçar, mesmo aquelas que jurávamos - com as duas mãos - que não.

e se? 

 

as pessoas nunca pensam nisto?

sou assim tão anormal?

oh vai ver ali:

publicado às 14:00


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