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resumo

por M.J., em 27.02.19

comprei tulipas amarelas no fim de semana. o objetivo era que, de alguma forma, combinassem com os girassóis do casamento e que estão espalhados em fotografias na sala.

aos poucos a casa vai-se transformando. passamos do "temos o essencial para viver" para "vamos melhorar isto". já há quadros nas paredes, candeeiros, fotografias e mantas no sofá. já há almofadas gigantes, velas e flores. e um bolo de laranja, no domingo, para dar um olá a velhos amigos de infância que passaram a conhecer o miúdo. 

estamos todos tão crescidos.

 
 
 
 
 
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As flores são tulipas mas cheira é a laranja. #cake #vamoslareceberpessoas #domingo #orangecake

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tenho uma série de posts na cabeça.

gostava de falar sobre o parto, sobre a gratidão à minha médica, sobre a humanidade da minha psicóloga, sobre a empatia e profissionalismo das enfermeiras. gostava de falar sobre mamas e amamentação e como nunca fui pressionada - ao contrário do que esperava - para o efeito e como me sinto tão aliviada por o puto beber leite em pó. e estar saudável. gostava de escrever sobre os fantasmas que me ensombraram nos primeiros meses, de alguns momentos de absurda angústia e de como tudo me pareceu negro em alguns dias. gostava de escrever sobre como a seita veio a aveiro para nos ver, de como me senti amada por duas pessoas tão especiais que demonstram que isto não são só blogs. gostava de explicar um sentimento de amor profundo que vai crescendo todos os dias um pouquito mais no peito. 

mas não tenho tempo.

 

continuo assoberbada em trabalho. deliberadamente.

porque me faz sentir mais do que mãe e porque, sinceramente, não me consigo ver apenas como mãe, ainda que baste para muita gente. ainda que saiba que há mulheres que dariam tudo para poder ficar em casa só a cuidar dos filhos - e nada tenho contra (nem a favor, simplesmente não é nada comigo). ainda que tenha perfeita noção do privilégio que tive ao poder escolher se queria ser só mãe durante seis meses ou não. e não quis. não podia. não dava. isso seria diminuir-me quando deveria acrescentar-me. seis meses em que apenas me dedicaria a alimentar, ver crescer, cuidar e ficar à espera que as horas passassem entre cocós e fraldas transformar-me-ia numa pessoa absolutamente frustrada e incapaz. transformar-me-ia numa péssima pessoa, inapta e sem perspetiva. não que isso transforme as outras pessoas, não me interpretem mal. mas transformaria a mim porque não tenho essa capacidade tão grande de me doar por inteira de forma absoluta e integral. para ser boa mãe preciso de ser boa pessoa. e para isso preciso de me sentir plena. preciso de me sentir útil em várias vertentes. por isso aqui estou, assoberbada em trabalho. muito mais do que algum dia tive porque me desdobro em 5. 

no entanto, cada prazo cumprido, cada objetivo concretizado inunda-me de felicidade. sou capaz. fui capaz. consegui. não fiquei presa às ideias concebidas. não me perdi nos medos. não fiquei meses sem ser eu, achando que me perdera. estou aqui. completo os espaços da minha vida, cada um com a sua importância sem os descurar. estou eu. completa.

 

o miúdo foi ontem às vacinas.

chorou que se fartou e depois, quando já não se lembrava, começou a rir enquanto a médica nos passava a receita para as não comparticipadas pelo SNS. e para uma almofada especial com o objetivo de evitar deformidades na cabeça que o miúdo cismou que dormir é sempre para o mesmo lado e ainda me ficava com a cabeça torta.

se a almofada resulta ou não... não sei. mas que ele gosta dela não há dúvidas.

 
 
 
 
 
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Vesti ganga pela primeira vez a ver se convenço a médica a espetar as vacinas com beijinhos em vez de seringas. #babyclothes #babyboy #vacinas #janaoeprojetoaltino

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tem engordado 41 gramas por dia.

uma pequena lontra ainda que continue num percentil baixinho. praticamente nenhuma roupa que compramos antes dele nascer lhe serve pelo que vamos renovando a coisa. tive de proibir a mamã de comprar porque me dói o desperdício e há coisas que ele vestiu duas vezes. é para esquecer.

 

já ri para nós.

posso mesmo dizer que ri mais para mim. é esperto. sabe perfeitamente quem lhe muda mais vezes as fraldas, quem lhe dá o leite, quem o embala e acorda a meio da noite quando o pai tem de conduzir no dia seguinte. portanto saca do sorriso desdentado e suborna-me para que me esqueça das birritas pequenas, das noites a dormir aos pedaços e do cansaço.

que tive sorte.

dorme bastante bem acordando agora, em média, duas vezes por noite. e durante o dia fica esparramado na alcofa ou na espreguiçadeira, ao meu lado no escritório, dormindo ou dando socos ao ar com toda a força. de vez em quando balbucia qualquer coisa. olho para ele, faço voz de bebé, ele ri e continuamos, cada um na sua tarefa. 

tudo tranquilo - na maioria dos dias.

 

já saímos com ele para praticamente todo o lado.

que o rapazito não acha grande piada a andar no ovo e prefere estar em casa. mas saímos. levamos leite extra nos doseadores, biberões com água medida e o aquecedor dos mesmos no carro. corre bem. por norma dorme o tempo todo. a não ser naquele dia, na Laskasas onde escolhíamos candeeiros, em que explodiu com tal força que poder-se-ia dizer que um terramoto tinha invadido a cidade. e viemos com ele para casa, a rir que nem perdidos, para lhe mudar a fralda que aquilo não era coisa que qualquer fraldário aguentasse.

 

o tempo vai passando.

ele vai crescendo.

e, estranhamente, eu também.

publicado às 09:58


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