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seja cão!

por M.J., em 28.01.20

há palavrinhas mal ditas que me dão comichão no cérebro.

não são coisas enormes ou que delas venha mal ao mundo.

mas provocam em mim uma espécie de repulsa natural, que me faz tremelicar as narinas e abanar os óculos.

ouvi muitas a infância toda.

quando se tem mais de 30 anos (32, vá, também não é preciso acharem que estou quase nos 40) e se viveu toda infância numa aldeola do interior há, inevitavelmente, expressões, palavras, frases que povoam a nossa mente, num chavão que faz parte de nós.

portanto, não me é estranho ouvir coisas como prontos, até amanhê, mirtilios, arreceber, onte, ouros (em vez de euros), desgracia, adevidir, igreija, cambra municipal e etc, etc, etc.

sejamos francos, não é o facto de alguém falar desta forma que me chateia. o que me provoca varicela no cérebro é o repetir do erro, o avançar com prontos, mesmo que minutos antes tenha sido dito "não é prontos, mas pronto" e a pessoa encolhe os ombros, arreganha a beiça e volta a dizer mal porque, prontos, acha piada. 

uma vez corrigi alguém que dizia "ouros" em vez de euros.

disse-lhe sem qualquer maldade e até com delicadeza porque achava mesmo, acreditem, que a pessoa não sabia. pois que me olhou, com todo o desplante e disse que sim, que estava mal, mas que preferia dizer ouros porque euros não não tinha jeito nenhum.

ora foda-se! não tem jeito nenhum é ser-se atrasado por livre opção. 

 

é essa pequenez que me incomoda:

o saber que se diz mal, que aquela forma está errada mas repetir-se porque se acostumou, porque é confortável, porque lhes dá uma espécie de orgulho em ser diferente (que originalidade, hem?) porque há vontade expressa de mostrar ignorância em vez de conhecimento, porque há um orgulho em ser-se pequenito.

 

tenho uma péssima dicção, uma pronúncia que não esconde de onde venho e troco as vírgulas quando escrevo.

às vezes também conjugo mal verbos e escapa-me um ou outro palavrão quando estou muito chateada.

mas com mil demónios, seja cão se não corrijo - ou tento corrigir - sempre que me chamam a atenção.

 

e ai de quem se lembre de falar com o miúdo como se ele fosse atrasado.

não há chicha, popós, mé més, ão ãos ou bua. 

deus do vocabulário me ajude.

 

apre.

publicado às 10:44


1 comentário

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De Maria das Palavras a 28.01.2020 às 13:09

Eu digo sempre sandes em vez de sande sabendo que está mal, pelo que não posso julgar... 🤣

E já agora nem sei como dizer igreija se não for igreija...

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