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sobre a minha ausência

por M.J., em 30.03.17

a melhor maneira de manter um blog é tirar prazer dele.

não há mal algum que o prazer seja tinta da china para pôr nas vistinhas, comentários aduladores do ego ou simplesmente muitos ahahahaha e pisca pisca. não há mal porque cada um tira prazer do que bem entende e a máxima do "desde que não prejudique" aplica-se.

 

no meu caso o maior prazer está - ou costumava estar - em ler os meus próprios textos.

em divertir-me na escrita ou usá-la para exorcizar quem sou. ou para compreender melhor o que penso. ou para raciocinar sobre temas porque escrevendo penso duas vezes. ou em sentir-me absolutamente feliz por juntar palavras em frases e frases em textos e expô-los a quem quiser ler.

é esse o maior - e às vezes único - prazer que retiro disto e sem isso não vale a pena.

 

quando me farto e percebo que estou unicamente a escrever por obrigação, que as palavras não se atropelam e os meus dedos empancam nas teclas, enferrujados, apagando e voltando a apagar, colocando frases atrás de frases em rascunhos, numa vergonha que vejam o mundo paro.

paro e espero, aguardo nas sombras, muito baixinho, esperando sentir falta.

esperando sentir uma ponta de vontade de escrever.

esperando sentir a necessidade de juntar palavras corridas, umas a seguir às outras.

 

às vezes perco a identidade disto.

olho-me e tento perceber por que motivo dedico tanto tempo e dedicação a algo quando, em alguns dias, não retiro prazer nenhum. tento descortinar sobre o que escrevo, para que escrevo, do que escrevo, numa espécie de procura de quem sou. quando não descubro paro e espero.

 

parei uns tempos estes dias. 

e para minha confusão - e alguma tristeza - senti muito menos falta disto do que pensei. deixei prosseguirem as horas e os dias com coisas agendadas, mal olhando para palavras e frases e questionamentos, apercebendo-me de que não havia qualquer sentimento de falta. ou vontade.

achei que iria sentir saudades descomunais e que o meu prazer em voltar a escrever seria exponencial.

não foi.

 

pondero seriamente se não será hora de ultrapassar este espaço.

sem auto-comiseração, tentativas de afago ao ego ou deixa-te disso.

numa ponderação simples e muito minha: para quê manter algo quando a sua ausência não me provoca nenhuma comichão de saudades? nenhum formigamento de ânsia? nenhuma vontade de regressar?

publicado às 16:15


1 comentário

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De Ana a 30.03.2017 às 16:48

Sim, tu é que sabes. Eu escrevo mais ou menos pelos mesmos motivos que tu. Mas não me obrigo a um post por dia, nem mínimos por semana. Escrevo quando tenho alguma coisa para escrever. É só isso. Gosto muito de te ler, mas a partir do momento em que comeces a escrever por obrigação, o interesse dos posts, a genuinidade a que nos habituaste sempre, desaparece. Se assim for, acho que já não vou gostar. Por isso, repito, tu é que sabes.

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