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mas em mau.

 

para cada cinco minutos de euforia histérica por vitórias no campeonato não sei do quê, festivais, papas, geringonças funcionais e défices que, alegadamente, diminuem, morre um cidadão em território nacional numa desgraça anunciada:

  • incêndios;
  • árvores caídas (se os incêndios fossem mais funcionais a árvore não teria caído) e,
  • aeronaves em desvio. 

alguém aposta na próxima ou já chega?

 

oh vai ver ali:

o tempo ensina a que não se levem demasiado a sério.

 

ou estarei enganada e é o oposto?

das falhas

por M.J., em 14.03.15

sou uma pessoa repleta de falhas.

a pessoa com mais falhas que conheço. uma tipa absolutamente banal que se farta de errar. mais do que qualquer outra pessoa.

entro, não raras vezes, em contradições.

dou conta delas mal penso sobre o assunto. odeio contradizer-me. acontece frequentemente. fico numa zanga comigo mesma quando acontece. às vezes nem me perdoo.

tenho muitas vezes o dedo estendido em direcção aos outros.

chateia-me porque, ao mesmo tempo, aponto uns quantos a mim própria. bato o pé nessa altura, em grandes sermões que me dou antes de dormir, entro em sérias discussões. vou mudando, mas não muito.

afasto-me de pessoas com a mesma facilidade e intensidade com que me aproximo.

entrego-me de alma e coração, faço tudo e um par de botas e atiro-lhes o par de botas, logo a seguir, quando fazem algo que me chateia. não que me chateia. sim que me magoa. às vezes engano-me nas frases que quero dizer.

sou melindrosa.

magoam-me atitudes que na maioria das pessoas passam ao lado e nem reparo em coisas que a maioria das pessoas leva a peito.

exijo dos outros, não de todos, só dos que gosto, o mesmo que exijo a mim.

ninguém está à altura dessa função. o nível de exigência é terrível. tem dias que desce, mas continua ali.

sou manipuladora.

já fui mais. quanto maior é o leque de pessoas com que convivo mais manipuladora sou. consigo sê-lo. grande parte das vezes por bondade dos outros que fingem que não reparam. às vezes não reparam mesmo. outras vezes finjem que não.

 

sou cheia de falhas.

admito. e admito-o, confesso, como arma de arremesso. de que vale a alguém acusar-me as falhas, numa vermelhidão de raiva, com perdigotos e pé a bater no chão, se antes de as apontar eu já as assumi? como se magoa uma pessoa chamando-a idiota, se antes de lhe terem chamado, já ela disse que era?

 

(de que valem certos comentários neste tasco ridículo se a gerência do tasco é a primeira a dizer que é insalubre, sujo e impróprio para consumo?)

constatações

por M.J., em 12.03.15

é incrivel a quantidade de solidão que alguém consegue albergar.

oh vai ver ali:

constatações

por M.J., em 03.03.15

o nosso falhanço dói ainda mais perante o sucesso dos outros.

 

oh vai ver ali:

da constatação

por M.J., em 26.01.15

pior que ser meramente comum, como eu, é ser nada mais do que comum pensando sempre ser extraordinária.

 

andei uma vida toda enganada.

como que coberta por um pedaço normalíssimo de inteligência, a destacar-se num mundo de labregos e particularmente iguais aos outros todos.

julguei, numa ingenuidade triste só concedida aos tolos, que era um pouco mais:

  • um pouco mais sensível.
  • um pouco mais objectiva.
  • um pouco mais inteligente.
  • um pouco mais liberal.
  • um pouco mais culta.

e alimentei isso, como a minha vizinha da frente alimenta os gatos vadios da rua, na procura da sobrevivência.

 

uma merda muito triste.

 

a verdade, que dói como mil putos aos gritos na hora antes da sesta, é que sou banalíssima, sempre fui banalissima e nunca tive motivos para acreditar no contrário.

 

nunca ninguém me mandou um postal de amor.

fui sempre das últimas a ser escolhida nas aulas de educação física.

o meu primeiro amor adolescente trocou-me pela minha melhor amiga.

o namorado que jurou amar-me para sempre mandou-me um valente tacho de óleo a ferver nas trombas quando fiquei doente.

sou completamente obtusa nas relações com pessoas. quer as conheça bem ou mal.

agarro com força gente que gosto até as empurrar vida fora numa espécie de bungee jumping.

tenho vontade, às vezes, de atirar contra paredes miúdos irritantes que guincham aos meus ouvidos em situações inusitadas. ou as suas mamãs.

detesto frases feitas.

detesto livros da treta e vejo reality shows e todo o tipo de tv do mais baixo nível, só para me rir, como uma labrega, a boca toda aberta, da estupidez humana.

não gosto de fazer exercício. não gosto de gente que me manda fazer exercício. ou que inunda o facebook com fotos de exercício.

 

e sei, como sei das merdas todas que escrevi atrás, que estou condenada a acabar aí, num centro social qualquer, depois de resgatada da rua, a dizes caralhadas a todos os filhos da puta que me disserem que estou naquela situação porque decidi não parir, não fazer exercício físico, nem aturar as pessoas que tentaram com força fazer parte da minha vida.

 

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e agora dá aqui uma olhada