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tristeza

por M.J., em 18.06.17

estou a ver as várias reportagens do incêndio em pedrogão. as janelas de casa estão abertas e não entra uma brisa nocturna mínima. a noite está seca, quente, abafada, feia.

sinto uma enorme vontade de chorar.

os jornalistas dizem várias vezes a palavra carbonizada. repetem incessantemente a morte de 19 pessoas carbonizadas. tenho o choro a correr.

aldeias desaparecidas.

há imagens de casas em chamas. povoações do interior com gente idosa que, possivelmente morreu. neste momento estima-se que o número real seja mais do dobro das mortes confirmadas. 

 

é incrível a pequenez e o horror da vida. acorda-se a um sábado de manhã, num fim de semana prolongado e chega-se ao fim do dia sem vida, sem casa, sem aldeia, sem nada do que se conhece e sempre conheceu. morre-se fechado num carro queimado, assoberbado em chamas e fumos.

é incrível a dor a que somos sujeitos.

não entendo a vida nem concebo a dor de quem passe, sinta ou veja uma coisa destas. não imagino que se sobreviva depois disto. que se prossiga. é um autêntico terror inimaginável.

que sentir, pensar de uma coisa destas?

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publicado às 01:49


1 comentário

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De Burro a 18.06.2017 às 16:35

Combati as chamas deste incêndio na Aldeia de Escalos do Meio, assim como já combati outros nos meus mais de 40 anos de vida e nunca vi nada como ontem... tudo muito rápido.

Daquilo que ouvíamos lá ao fundo, para os lados dos Escalos Fundeiros: pequenos estrondos que pareciam tiros de caçadeira, afinal eram raios a cair... jamais pensámos no que veio a acontecer: o fim do mundo que a nossa terra conhecia... amanhã terá de ser outro dia.

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