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tristeza

por M.J., em 18.06.17

estou a ver as várias reportagens do incêndio em pedrogão. as janelas de casa estão abertas e não entra uma brisa nocturna mínima. a noite está seca, quente, abafada, feia.

sinto uma enorme vontade de chorar.

os jornalistas dizem várias vezes a palavra carbonizada. repetem incessantemente a morte de 19 pessoas carbonizadas. tenho o choro a correr.

aldeias desaparecidas.

há imagens de casas em chamas. povoações do interior com gente idosa que, possivelmente morreu. neste momento estima-se que o número real seja mais do dobro das mortes confirmadas. 

 

é incrível a pequenez e o horror da vida. acorda-se a um sábado de manhã, num fim de semana prolongado e chega-se ao fim do dia sem vida, sem casa, sem aldeia, sem nada do que se conhece e sempre conheceu. morre-se fechado num carro queimado, assoberbado em chamas e fumos.

é incrível a dor a que somos sujeitos.

não entendo a vida nem concebo a dor de quem passe, sinta ou veja uma coisa destas. não imagino que se sobreviva depois disto. que se prossiga. é um autêntico terror inimaginável.

que sentir, pensar de uma coisa destas?

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publicado às 01:49


1 comentário

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De Olívia a 19.06.2017 às 10:58

Uma grande impotência. É o que sinto.
Um aperto no peito, uma dor pela dor alheia.
As boas recordações do meu fim de semana transformaram-se numa coisa pequenina... como posso eu queixar-me do calor quanto tantas pessoas combatem os incêndios? Como posso queixar-me da minha casa, quando tantos perderam a sua? Como posso queixar-me da vida quando tantos perderam os que mais amam?
Como?

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