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ya meu, tipo, é isso.

por M.J., em 30.08.19

ultimamente o facebook existe pelos grupos, esses antros de bolhas de informação.

já quase ninguém publica fotos no facebook, põe estados de alma no facebook ou informa o facebook do que está a pensar. para isso usa-se o instagram: há uma fotografia, arranja-se uma frase qualquer e voilá! está feito: muito mais bonito e com legenda. 

 

é por isso que o facebook, com os seus grupos tem-se mantido.

as pessoas aderem a uma série deles (e há de tudo, como no supermercado) e depois vão interagindo umas com as outras:  há de apoio a políticos, de ódio a políticos, de férias, viagens, costura, alimentação, jejum, estilo de vida, estilo de morte, religião, ateísmo, trabalho, desemprego e tudo o que se lembrarem.

juro.

faço parte de uma data deles. como espetadora assídua, somente. até me mantenho num ou outro de mães, em que não participo mas vejo. e depois posso sempre pensar no futuro da humanidade.

bem giro. 

 

o mais interessante? é que todos têm uma espécie de regra em comum:

é proibido corrigir-se erros ortográficos.

é sério.

pode criticar-se tudo: o que a pessoa tentou dizer, o que a pessoa tentou esconder, a vida da pessoa, o corpo da pessoa, a família da pessoa, a ideologia da pessoa, a religião da pessoa, o peso da pessoa, a idade da pessoa, as decisões da pessoa.

tudo é permitido.

menos, meus senhores, erros ortográficos.

isso aí, alto e para o baile, mas não.

 

e não era suposto que andando toda a gente em redes sociais onde, pasme-se, se escreve, houvesse uma tentativa de se escrever melhor? é que já nem digo aqueles erros mais... enfim, perdoáveis, em que se troca conselho por concelho, à por há, assento por acento, se separa o mos do comemos, se acrescenta um a ao recebe e põe-se hífen onde não era suposto.

enfim, uma pessoa até fecha os olhos a isso porque pronto, consegue-se compreender.

o que não se entende é aquele emaranhado de erros, todos seguidos, em que não se percebe um corno do que a pessoa quer dizer e é preciso vir um tradutor de chinês, japonês, turco, grego e holandês para decifrar a coisa.

e no meio disto ai de quem, muito timidamente escreva: "desculpe, o quê?"

ah, a ofensa! pois que a net não serve para corrigir erros, pois que a net não serve para apontar dedos ao português alheio, pois que ninguém precisa de dicionários ambulantes.

então a net serve para quê, caralho?

para nos dizer que na mínima dor de cabeça temos um aneurisma incurável?

para nos dar a convicção de que toda a gente pensa como nós porque estamos em pequenas bolhas de informação e só lemos o que queremos ler?

para estarmos incluídos em grupos de pessoas que a falarem tão mal como escrevem eram incapazes de manter uma conversa de 3 minutos enquanto cuspiam uma nata com café?

 

há dias, enquanto estendia roupa no pátio percebi que o vizinho do lado estava a dar uma festa na piscina.

ou melhor, o filho de 20 anos do vizinho do lado. e como a malta berrava em vez de falar era inevitável ouvir o que diziam. pois que tenho uma conclusão:

senhores, a juventude fala como se tivesse um travão de mão na língua que puxa a cada três palavras.

e depois, tipo, ela disse que, ya, não queria pinar comigo, tipo, que era cedo. e o outro, aos gritos também meu puto, é tipo, ela querer quer, ya, mas tipo, tava-se a fazer de difícil. e outro ya. e a resposta ya. 

OH-MEU-DEUS!

só me apeteceu berrar enquanto pespegava com meias no estendal:

ya meu! se no tal do pinanço fizeres tantas interrupções como quando falas... não há nenhuma que ya, tu tipo, pines!

 

enfim, as palavras são como as cerejas.

comecei nos erros da internet, acabei nos erros da fala. 

cerejas podres, portanto.

 

e por favor, qualquer erro que por aqui ande, ajudai-me a corrigi-lo, sim?

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publicado às 14:00


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